EFEJartum

Um grupo de militares deteve o primeiro-ministro do Sudão, Abdullah Hamdok, que se encontra em paradeiro desconhecido depois de se ter recusado a "apoiar o golpe" de Estado, informou o ministério da Informação sudanês.

"Depois da sua recusa em apoiar o golpe, uma unidade do exército deteve o primeiro-ministro Abdullah Hamdok e levou-o para um local desconhecido", disse o ministério numa breve mensagem partilhada na sua página oficial do Facebook.

O ministério tinha informado anteriormente que Hamdok foi colocado sob "prisão domiciliária" e divulgou uma mensagem aos sudaneses para que saíssem às ruas pacificamente para "defender a revolução".

Este foi o único comunicado do chefe do Governo que se conseguiu difundir durante o golpe de Estado em curso no Sudão.

Para além de Hamdok, outros ministros e membros da componente civil do Conselho Soberano, o órgão máximo de poder no processo de transição do Sudão, foram detidos e levados para um paradeiro desconhecido, de acordo com o Governo sudanês.

As detenções coincidem com uma visita ao país do enviado especial dos EUA para o Corno de África, Jeffrey Feltman, que se encontrou com as principais autoridades civis e militares do Sudão durante o passado fim de semana.

Após a tentativa de golpe do mês passado, Hamdok disse que era necessário "reformar os órgãos militares e de segurança" depois de ter acusado "remanescentes do regime" do antigo ditador Omar al-Bashir, que foi deposto em 2019, de orquestrar o golpe.

Isto provocou mal-estar entre os líderes militares, que partilham o poder com a componente civil no Governo de transição desde 2019, e as tensões têm aumentado desde o mês passado com várias manifestações a favor e contra o Executivo.