EFELisboa

A ministra espanhola de Política Territorial e Função Pública, Carolina Darias, defendeu esta segunda-feira que é necessário um envolvimento "máximo" da União Europeia na crise migratória, que está a afetar fortemente as ilhas Canárias, assim como uma intervenção nos países de origem e trânsito.

"A rota atlântica está a ganhar muita força, também em Portugal, pelo que é preciso envolver ao máximo nível as instituições comunitárias", disse a ministra espanhola em declarações a jornalistas à margem de uma visita de trabalho a Lisboa.

Darias assinalou que a pandemia está a dificultar "muitíssimo" um problema estrutural "que já era complexo", e recordou que "há mais deslocações que nascimentos no mundo".

Por isso, considerou que para combater a situação faz falta o "envolvimento máximo da UE e instituições comunitárias, uma política migratória europeia comum e sobretudo intervir e atuar nos países de origem e de trânsito".

Há que evitar "que as pessoas entrem num barco para arriscar a vida melhorando as condições de vida" na origem, disse a ministra, que apelou para "intensificar as capacidades na origem e trânsito" das forças e corpos de segurança e a "melhorar a capacidade assistencial e de acolhimento" de Espanha.

O plano espanhol prevê enviar aos sistemas de acolhimento as pessoas vulneráveis e devolver as restantes, caso não estejam sob proteção internacional, aos seus lugares de origem.

Só este ano, mais de 18.400 pessoas chegaram de forma irregular às ilhas Canárias, mais de metade no último mês.

Darias viajou a Lisboa para se reunir com as ministras portuguesas de Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e de Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, para dar continuidade aos trabalhos da última cimeira ibérica.

Na agenda está a cooperação entre as regiões ultraperiféricas de ambos países (as Canárias em Espanha e Madeira e Açores em Portugal).

"Queremos que os territórios insulares façam parte da cimeira e estabelecer um memorando de entendimento que possibilite a cooperação e desenvolvimento, não só ao nível insular, que já existe, mas também com o envolvimento dos governos nacionais", explicou.