EFEXangai/Pequim

O multimilionário fundador do gigante chinês do comércio eletrónico Alibaba, Jack Ma, reapareceu hoje numa reunião virtual com professores rurais após meses de incerteza sobre o seu paradeiro, durante os quais a relação entre Pequim e o grupo empresarial por ele criado se deteriorou.

No vídeo, partilhado pelo website do jornal Tianmu News, que é publicado na sua província natal (Zhejiang, este), Ma cumprimenta uma centena de professores rurais do país asiático selecionados para um prémio e diz-lhes que "quando a epidemia acabar, voltaremos a encontrar-nos".

Embora o seu discurso não faça qualquer menção à sua situação, Ma diz que durante "os últimos seis meses" -ou seja, um período que inclui o tempo em que esteve longe dos holofotes- participou ativamente no processo de seleção de professores para o prémio que apresentou.

Após o reaparecimento da Ma, as ações da Alibaba na Bolsa de Hong Kong subiram hoje 8,35% passadas as 14:00 horas locais (7:00 GMT), depois de terem mergulhado mais de 18% desde a última vez que o empresário apareceu publicamente.

Ma não aparecia em público desde finais de outubro de 2020 e a imprensa internacional especulava sobre o seu paradeiro, chegando ao ponto de usar o termo "desaparecido" na sequência do seu atrito com o Governo chinês, conflito que forçou a suspensão em novembro da entrada em bolsa da sua empresa tecno-financeira ("fintech") Ant Group, que ia protagonizar a maior oferta pública da história.

Na sua última aparição pública, dias antes da fracassada entrada em bolsa da Ant, Ma tinha feito um discurso altamente crítico com a estratégia de Pequim de minimizar o risco no sistema financeiro e dos bancos tradicionais, que, segundo ele, ainda eram geridos como "lojas de penhores".

Os rumores cresceram em novembro depois de Ma não ter participado como juiz no programa televisivo "Heróis de Negócios em África", que o próprio fundou, tendo sido substituído por outro executivo da Alibaba.

Entretanto, os meios de comunicação oficiais permaneceram totalmente em silêncio durante semanas, período de tempo que coincidiu com as notícias de alegadas ordens de Pequim para não dar mais cobertura mediática à investigação anti-monopólio recentemente aberta contra o grupo.

Na semana passada, fontes familiarizadas com a situação tinham explicado à Efe que Ma estava a tentar manter um "baixo perfil" e que estava "bem", enquanto chamavam de "infundados" aos rumores de que ele tinha sido preso ou que as autoridades o tinham proibido de sair do país.

De acordo com a lista de multimilionários da Bloomberg, Ma já não é o homem mais rico da China, uma vez que a sua fortuna reduziu-se em cerca de 10.000 milhões de dólares, até 52.900 milhões de dólares, ocupando o quarto lugar na lista atrás dos responsáveis da empresa de bebidas Nongfu Spring e das empresas tecnológicas rivais da Alibaba, Tencent e Pinduoduo.

Ma deixou a presidência de Alibaba em 2019 -20 anos após a sua fundação- e não exerce qualquer cargo executivo na Ant, embora seja um acionista maioritário desta empresa.