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As ruínas arqueológicas das Termas de Caracalla, o complexo monumental construído no século III por ordem do imperador Caracalla em Roma, não irão contar nas suas imediações com um restaurante de comida rápida, pois o Conselho de Estado italiano rejeitou o recurso da cadeia americana McDonald's.

"É legítimo negar a abertura de um McDonald's nas Termas de Caracalla, sendo a zona onde se encontra o imóvel tutelado pelo plano territorial paisagístico e incluído no centro histórico protegido como lugar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)", assegura a resolução do órgão, que revê as decisões administrativas, emitida há uns dias.

A cadeia de 'fast food' levou o caso ao Conselho de Estado depois do Tribunal Administrativo Regional (TAR) da região de Lácio, cuja capital é Roma, ter dado um parecer negativo, em junho de 2020, ao recurso que apresentou depois de lhe ser negada a possibilidade de abrir o restaurante, apesar de contar inicialmente com autorização.

Um ano antes, em julho de 2019, o anúncio de que ia abrir um restaurante junto a uma das jazidas arqueológicas mais icónicas de Roma provocou um grande protesto mediático e a então autarca da capital, Virgina Raggi, pediu a suspensão do projeto, que contava com a permissão das autoridades locais, regionais e nacionais.

A reivindicação de Raggi foi apoiada pelo ministro da Cultura da altura, Alberto Bonisoli, que revogou a autorização, o que levou a McDonald's a recorrer à justiça, alegando que essa decisão impedia a criação de cerca de 60 postos de trabalho no ponto de venda que ia abrir num jardim privado adjacente e não nos terrenos junto às antigas termas.

O tribunal opinou então que a região de Lácio e o Ministério da Cultura podiam "ordenar a suspensão das obras destinadas a alterar a paisagem" tanto nos lugares patrimoniais existentes como nos lugares que as autoridades "pretendem proteger", segundo a imprensa local.

As do imperador romano Caracalla (211-217 d.C.) são um dos maiores e mais bem conservados exemplares de antigas termas, além de serem consideradas a estrutura mais luxuosa do Império Romano.

Rodeadas de enormes colunas de mármore, contavam com belos pavimentos também de mármore, decoradas com mosaicos de pasta vítrea, e paredes adornadas com pinturas e estátuas colossais que se encontravam tanto nas várias salas, bem como nos extensos jardins.

Atualmente, as suas ruínas arqueológicas, além de ser visitadas por turistas, tornam-se no verão num palco ao ar livre onde já se representaram óperas como "Carmen", "Tosca" e "Nabucco" ou deram concertos míticos, como o de julho de 1990 protagonizado pelos tenores Plácido Domingo, José Carreiras e Luciano Pavarotti, dirigidos por Zubin Mehta.