EFEJerusalém

O primeiro-ministro de Israel em funções, Benjamin Netanyahu, anunciou esta terça-feira ter retirado o pedido de imunidade ao Parlamento para evitar o julgamento por acusações de corrupção.

"Notifiquei o presidente do Knesset de que retirei o meu pedido de imunidade", disse Netanyahu, desde Washington, através da sua conta no Facebook.

O primeiro-ministro israelita acrescentou que não vai permitir que os seus rivais políticos "usem essa questão para interferir no passo histórico" que ele irá liderar, referindo-se ao plano de paz que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentará esta terça-feira.

A decisão ocorre horas antes do Knesset (Parlamento israelita) planear votar a formação do comité especial que avaliaria a sua imunidade e depois a levará a plenário, onde Netanyahu não tem maioria.

O primeiro-ministro interino não poderá voltar a solicitar a proteção parlamentar e terá que ser julgado por acusações de suborno, fraude e abuso de confiança em três casos distintos de corrupção.

O procurador-geral do Estado, Avichai Mandelblit, pode agora apresentar formalmente a acusação ao tribunal de Jerusalém, iniciando um processo judicial que poderá demorar vários anos.

Netanyahu descreveu o debate à volta da sua imunidade como um "circo" e "jogo sujo" no Parlamento e enfatizou a importância de se concentrar nas negociações em Washington para garantir a segurança dos israelitas "por gerações".

O seu principal rival político, o líder centrista Benny Gantz, que esta segunda também se encontrou com Trump na Casa Branca para abordar o plano de paz, disse hoje que "ninguém pode liderar um Estado e ao mesmo tempo enfrentar três casos criminais graves".

A acusação de Netanyahu não o desqualifica para as eleições do dia 2 de março, mas o Supremo Tribunal terá que se pronunciar sobre se poderá formar governo após as eleições.