EFENova Iorque

O parlamento do estado de Nova Iorque, dominado por democratas, aprovou esta quarta-feira o projeto de lei que permite que o Congresso dos Estados Unidos tenha acesso ao que reivindicou com insistência: a declaração de impostos do presidente Donald Trump, que se recusou divulgá-la.

O projeto, que deverá agora ser assinado pelo governador nova-iorquino, Andrew Cuomo, também democrata e crítico das políticas do presidente, autoriza que a agência fiscal de Nova Iorque, onde Trump mora e tem a base dos seus negócios, entregue os documentos aos comités do Congresso que o solicitaram, desde que estes tenham um objetivo legislativo "específico e legítimo".

Os republicanos, que pela primeira vez em dez anos são minoria nas câmaras legislativas de Nova Iorque, reagiram imediatamente declarando que se trata de um ato de "abuso de poder" e que as leis serão usadas como armas políticas contra o presidente.

A proposta de lei foi aprovada depois de ter recebido emendas para esclarecer que a medida só será aplicada sobre funcionários eleitos em nível federal, estatal ou local, e alguns funcionários de alta categoria, com o objetivo de que esta legislação não afete a privacidade dos cidadãos contribuintes.

A medida, que já tinha passado pelo Senado estatal na semana passada, foi aprovada depois do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, se ter recusado a entregar ao Congresso várias declarações de impostos de Trump.

Os democratas do Congresso tinham exigido ao Tesouro essa informação para identificar os laços empresariais do presidente e descartar que haja conflitos de interesse nas suas ações.

Trump é o primeiro presidente americano desde Gerald Ford (1974-1977) a não divulgar anualmente a sua declaração de impostos, uma tradição que os seus antecessores consideravam parte do seu dever de transparência e prestação de contas.

A expectativa é que Trump, que esta quarta-feira enfrentou um revés judicial em Nova Iorque na sua tentativa de impedir que o Congresso conheça detalhes das suas finanças, leve esta lei aos tribunais.

Além disso, um juiz federal decidiu esta quarta-feira que o banco alemão Deutsche Bank e o americano Capital One podem entregar informação financeira de Trump aos dois comités do Congresso que a solicitaram.