EFEGenebra

A Organização Mundial da Saúde não considera como prioritária a vacinação em massa de países contra a varíola dos macacos, uma doença da qual já foram registados perto de 200 casos em países não endémicos, como Portugal, segundo indicaram esta sexta-feira especialistas da organização.

"O rastreamento de contactos, o estudo dos casos e o isolamento são por agora as principais ferramentas para controlar a doença", acrescentou a especialista Rosamund Lewis, do departamento de varíola da OMS, numa sessão técnica sobre o atual surto realizada na assembleia anual do organismo.

O diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Mike Ryan, acrescentou a este respeito que "provavelmente cada país vai precisar de um pequeno contingente de vacinas, mas não a grande escala".

Sobre os grupos que poderão ser vacinados, Lewis indicou que, embora cada país possa estabelecer as suas próprias normas para a situação atual, se recomenda desde 2013 que se imunize trabalhadores de laboratórios ou profissionais de saúde.

A vacina contra a varíola convencional, uma doença mais grave mas erradicada no planeta desde 1978, é altamente eficaz, embora a OMS tenha reconhecido que não tem dados sobre as doses alojadas no planeta, pelo que pediu aos países mais informação sobre esse assunto.

A diretora de Doenças Epidémicas e Pandémicas da OMS, Sylvie Briand, acrescentou por sua parte que a organização exclui por agora recomendar limitações de viagens devido ao surto atual.

A sessão técnica desta sexta-feira não deu dados específicos de casos por país, mas foi assinalado que Espanha, Portugal, Reino Unido, Canadá e EUA são atualmente os territórios com mais contágios reportados.

Briand disse que a doença "não deve preocupar tanto o público geral como outras de rápida transmissão, como a covid", ou causar ansiedade, mas reconheceu a necessidade de aumentar a vigilância sanitária.

A especialista assinalou que a taxa de letalidade nos países endémicos (África ocidental e central) é entre 3 e 6%: "No geral é uma doença de sintomas moderados, mas pode ser mais grave em crianças, mulheres grávidas ou pessoas com determinadas doenças".

Geralmente dura entre duas e quatro semanas e costuma começar com febre, dores de cabeça, fadiga ou comichão, acabando em erupções cutâneas que geralmente começam na cara mas que se podem estender a outras partes do corpo, recordou Briand.

Como medidas preventivas, a OMS recomenda evitar o contacto físico com infetados, usar máscara caso se esteja em contacto com estes, e limpar e desinfetar superfícies possivelmente contaminadas.