EFEBeirute

Aviões russos bombardearam o noroeste da Síria pela primeira vez desde o início da trégua pactuada há três meses entre Moscovo, principal aliado de Damasco, e Ancara, apoiante dos rebeldes, numa zona onde continuam os embates das fações contra as tropas sírias, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Os ataques começaram ontem à noite no nordeste de Latakia, e foi registada uma nova ronda de bombardeamentos na madrugada desta quarta-feira na área de Sahl al Ghab, na província de Hama, assegurou a ONG, cuja sede se encontra no Reino Unido mas que conta com uma ampla rede de colaboradores no terreno.

A Rússia e a Turquia pactuaram um cessar-fogo na região de Idlib e arredores, considerado o último reduto opositor no país, no passado 6 de março, parando uma ofensiva governamental que começou no final de abril de 2019 e que causou mais de 1.500 mortos e quase um milhão de deslocados, segundo números da ONU.

Desde então, os aviões russos e sírios pararam com as suas operações na região, embora a campanha terrestre tenha continuado no triângulo fronteiriço de Latakia, Hama e Idlib, onde fações radicais combatem contra o Exército sírio leal ao presidente Bashar al Assad.

O Observatório assinalou que as tropas sírias têm renovado os seus ataques com mísseis em zonas do sul de Idlib contra essas fações extremistas que não têm acatado a trégua.

No passado 10 de maio o grupo Hurras al Din (Guardiões da Religião), considerado o novo ramo da Al Qaeda na Síria, lançou em Sahl al Ghab o ataque mais mortífero contra o Exército sírio, deixando cerca de trinta baixas nas suas fileiras, segundo a ONG.

O Observatório indicou há dois dias que em maio registou 71 vítimas mortais, pelo que foi o mês com menos civis mortos na Síria desde o início da guerra há nove anos.