EFEGenebra

O Programa das Nações Unidas sobre o HIV/Sida (UNAIDS) e a entidade privada LGBT Foundation lançaram hoje o primeiro estudo global para medir a qualidade de vida dos membros da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais) em todo o mundo.

O estudo, que pode ser feito na internet até 31 de julho, pergunta aos participantes sobre o seu estado emocional, se manifestam abertamente a sua orientação sexual, se esta é aceite ou não pelas suas famílias e amizades, se sofreram abusos verbais ou físicos e qual é o seu estado de saúde, entre outros detalhes.

"Muitas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais sofrem discriminação e estigmas diariamente na educação, trabalho, saúde ou na sociedade, e queremos entender como isto afeta o seu bem-estar, incluído o psicológico", declarou a diretora-executiva da UNAIDS, Gunilla Carlsson.

A UNAIDS e a LGBT Foundation assinalaram que os dados obtidos no estudo, realizado através de um link encriptado para garantir o anonimato dos participantes, vão ajudar a conhecer melhor as preocupações destas comunidades e melhorar as suas condições de vida, entre elas dar maior acesso a serviços médicos e sociais.

Estudos anteriores tinham tentado investigar os problemas legais e sociais da comunidade LGBTI, mas este vai medir pela primeira vez o impacto que isto tem no seu estado emocional e nos seus níveis de felicidade.

O organismo das Nações Unidas lembra que a discriminação que estes grupos sofrem em alguns países limita o seu acesso ao mercado de trabalho e aos serviços de saúde, pelo que, por exemplo, o seu risco de contágio do vírus HIV causador da Sida é 27 vezes maior entre homens homossexuais que entre os heterossexuais.

Com o estudo procura-se obter especialmente dados de regiões nas quais é relativamente pouco conhecida a situação do grupo LGBTI, como África, Ásia e América Latina.

O estudo, desenvolvido pelas universidades de Aix-Marseilla (França) e de Minnesota (EUA), foi traduzido a 17 idiomas e começou a distribuir-se através das redes sociais a mais de 25 milhões de pessoas, destacaram os seus organizadores em comunicado.