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O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, afirmou hoje que as partes em conflito no Iémen devem pactuar um cessar-fogo que garanta a provisão de alimentos e medicamentos à população, muito dependente de ajuda externa.

"Queremos ver um cessar-fogo, especialmente nas infraestruturas necessárias para levar ajuda alimentar, como o porto de Al Hudaida", indicou Lowcock em conferência de imprensa à sua chegada hoje a Sanaa, ao comentar uma resolução de cinco pontos apresentados ao Conselho de Segurança.

Lowcock acrescentou que os portos devem permanecer abertos, da mesma forma que as estradas, e que se deve permitir o movimento aos trabalhadores das agências e organismos de ajuda.

O chefe humanitário da ONU, que se deve reunir com autoridades dos rebeldes houthis e os organismos de assistência que operam na área, afirmou que viajou para o país para ver o grau de deterioração desde a sua última visita, em outubro do ano passado.

"Vou discutir (com as partes) como querem que funcionem os trabalhos humanitários durante o próximo período", disse.

Além disso, apelou às partes envolvidas no conflito a que cooperem com o enviado especial da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, e que assistam às conversas que se vão realizar em breve na Suécia.

O embaixador do Reino Unido no Iémen, Michael Aron, anunciou hoje que a ronda de negociações apoiada pelas Nações Unidas está prevista para a próxima semana na Suécia.

A ONU fracassou na sua anterior tentativa de sentar os rebeldes houthis e o Governo de Abdo Rabu Mansour Hadi em Genebra em setembro passado e trabalhou desde então em procurar uma nova aproximação.

A guerra no Iémen começou no final de 2014, quando os rebeldes houthis conseguiram o controlo de Sanaa e outras províncias do norte do país.

O conflito intensificou-se em março de 2015, com a intervenção da coligação liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos e outras potências, que atuam a favor das forças leais ao presidente iemenita.

Segundo a ONU, cerca de 75% dos aproximadamente 30 milhões de iemenitas precisam de algum tipo de assistência e proteção humanitária, e pelo menos 8,4 milhões não podem garantir a sua alimentação diária.