EFEMoscovo

A oposição da Bielorrússia revelou esta terça-feira estar a recolher testemunhos para denunciar o presidente Aleksandr Lukashenko perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), conforme anunciou Valeri Tsepkalo, pré-candidato à presidência que foi para o exílio depois dele e da sua família terem sido ameaçados.

"Sabemos que as crueldades e assassinatos ocorridos foram cometidos por ordem direta de Lukashenko", disse o opositor num vídeo partilhado no YouTube.

Ex-embaixador de Lukashenko nos Estados Unidos e no México, Tsepkalo recorreu à oposição e não conseguiu registar a sua candidatura presidencial para as eleições do mês passado, pois a autoridade eleitoral alegou que não tinha obtido as 100 mil assinaturas exigidas.

"De momento estamos a recolher as informações necessárias. Recolhemos depoimentos de pessoas que sofreram a repressão desse regime, principalmente nos primeiros dias das chamadas eleições presidenciais", disse.

Tsepkalo pediu aos cidadãos que forneçam dados e documentos, que "serão apresentados em tribunais internacionais".

"São necessários fatos. Não bastam imagens, as pessoas devem-se identificar, declarar quando, como e por quem foram detidas. Se isso não for possível, as circunstâncias da detenção devem ser detalhadas", acrescentou.

O opositor sublinhou que estes testemunhos documentados serão apresentados no Tribunal de Haia, para o qual trabalha um "grupo de juristas estrangeiros".

Ao mesmo tempo, manifestou a sua confiança de que o regime de Lukashenko não tem muito tempo e que será o próprio povo bielorrusso a julgar os seus crimes.

A ONG Human Rights Watch (HRW) também denunciou, por meio de um comunicado, que milhares de pessoas foram arbitrariamente detidas após as eleições pelas forças de segurança, que "as sujeitaram sistematicamente a centenas de torturas e outros maus-tratos".

"As vítimas descreveram espancamentos, choques elétricos e, em pelo menos um caso, violação", disse a HRW.

De acordo com a ONG, seis dos entrevistados foram hospitalizados e a polícia manteve os detidos sob custódia por vários dias, muitas vezes incomunicáveis, superlotados e sem condições de higiene.

"A brutalidade radical da repressão mostra até que ponto as autoridades da Bielorrússia são capazes de silenciar o povo, mas dezenas de milhares de manifestantes pacíficos continuam a exigir eleições justas e justiça para os abusos", disse Hugh Williamson, diretor da HRW para a Europa e Ásia Central.

A ONG apelou à ONU e à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce) para "iniciar investigações urgentes" e levar à Justiça os responsáveis pelas graves violações dos direitos humanos na Bielorrússia.