EFEBudapeste

O primeiro-ministro da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orbán, acusou esta sexta-feira a União Europeia (UE) de atacar o seu país em vez de cooperar na luta contra o coronavírus, e acusou o filantropo húngaro-americano George Soros de estar por detrás destas críticas.

"Bruxelas ocupa-se de nós enquanto devia estar a ocupar-se do vírus e da doença", afirmou o primeiro-ministro na sua entrevista semanal concedia à rádio pública "Kossuth".

Órban acrescentou que "não há uma tarefa mais importante do que salvar vidas. Isso requer cooperação".

"Estamos a falar de vidas. Não sei que tipo de pessoas há lá. O que eu sei é que aqui em Budapeste lamentamos a perda de todas as vidas", acrescentou o primeiro-ministro.

Nos últimos dias, políticos, ativistas e especialistas de toda a Europa e da Hungria criticaram as medidas tomadas pelo Governo de Orbán, que se dotou de poderes extraordinários com o argumento de lutar contra o coronavírus.

Orbán governa agora por decreto, à margem do Parlamento e por tempo indeterminado, em teoria sob o controlo da Assembleia, mas ao ter uma maioria parlamentar de dois terços este controlo na prática não existe.

Esta situação suscitou críticas de 14 governos europeus, incluindo a Alemanha, França, Itália e Espanha, bem como da Presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen.

Por outro lado, Orbán acusou o magnata e filantropo George Soros de estar por detrás das mais recentes críticas à Hungria, que definiu como um "ataque político" de uma rede.

"A Hungria tem inimigos que querem obter os recursos deste país. Esta rede é liderada por George Soros. A sua gente está em Bruxelas nas posições a partir das quais nos atacam agora", disse Orbán, sem oferecer qualquer prova destas acusações.

O magnata é um dos principais inimigos políticos do primeiro-ministro húngaro, que rejeita firmemente a ideia de sociedades abertas e liberais de Soros.

De acordo com os dados mais recentes, foram confirmados 623 casos de coronavírus na Hungria até à data, com 26 mortes, embora o próprio Orbán reconheça que o número real deva ser mais alto.