EFEBuenos Aires

O papa Francisco disse que as Nações Unidas "não tem poder" de se impor face aos conflitos e "parar" as guerras, e ressaltou que as organizações internacionais precisam de "valentia e criatividade".

Numa entrevista com a agência de notícias argentina Télam publicada esta sexta-feira, o Papa analisou o papel das Nações Unidas ao ser perguntado se é possível conseguir a paz através da intervenção de organizações multilaterais.

"Depois da Segunda Guerra Mundial houve muita esperança nas Nações Unidas. Não quero ofender, sei que há pessoas muito boas a trabalhar, mas neste momento não tem o poder para se impor", disse o Papa.

Na opinião de Francisco, a ONU ajuda a evitar guerras, como no caso de Chipre, "mas para parar uma guerra, para resolver uma situação de conflito como a que vivemos hoje na Europa, ou como as que aconteceram noutras partes do mundo, não tem poder".

"A constituição que tem não lhe dá poder", destacou.

Para o pontífice, as organizações internacionais requerem atualmente "valentia e criatividade".

"Sem estas duas coisas, não vamos ter instituições internacionais que nos possam ajudar a ultrapassar estes graves conflitos, estas situações de morte".

O papa disse também que é altura de "repensar" o conceito de "guerra justa".

"Pode haver uma guerra justa, há o direito de se defender, mas, como o conceito é utilizado hoje em dia, precisa de ser repensado. Disse que o uso e a posse de armas nucleares é imoral. Resolver as coisas com uma guerra é dizer não à capacidade de diálogo, de ser construtivo, que os homens têm", apontou.