EFEJohanesburgo

O secretário-geral do partido governante na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (CNA), visitou hoje a residência oficial do presidente, Jacob Zuma, para lhe entregar uma carta com uma solicitação formal para que se demita, segundo informou a emissora de televisão pública sul-africana "SABC".

Na sua qualidade de secretário-geral do partido, Ace Magashule foi o encarregado de transmitir a mensagem de forma oficial ao presidente, depois de ontem à noite a direção do CNA ter supostamente chegado a uma decisão definitiva para forçar a saída de Zuma.

Magashule estava acompanhado pela vice-secretária-geral do partido, Jessie Duarte, segundo a emissora pública sul-africana.

A decisão de exigir a demissão de Zuma ainda não foi comunicada de forma oficial, mas, segundo apontam todas as fontes consultadas pela imprensa local, a resolução já está tomada.

A expectativa é que a notícia seja anunciada oficialmente em conferência de imprensa que o CNA marcou para as 14.00 hora local (12.00 GMT).

As regras internas do partido estabelecem que todos os seus membros devem submeter-se à vontade deste. No entanto, se apesar de tudo Zuma se recusar a deixar o poder, poderá ser destituído por meio da moção de censura que será votada no parlamento (de maioria governista) antes do final deste mês.

Tal trâmite está já programada para o próximo dia 22, a pedido da oposição.

A discussão sobre a saída prematura de Zuma, com mandato até 2019, vem detonada pela má imagem do presidente e os graves escândalos de corrupção que o rodeiam.

Zuma é alvo de várias acusações, incluindo quase 800 por corrupção relativa a contratos de armas no final dos anos 1990 ou às investigações por ter usado o Estado para favorecer empresários vinculados com concessões públicas milionárias.

O primeiro na fila para ocupar o cargo de Zuma é o vice-presidente Cyril Ramaphosa, que é também líder do CNA desde dezembro do ano passado e, portanto, principal impulsor das manobras para procurar a sua saída prematura.

Após semanas de especulações sobre uma iminente saída, Ramaphosa tinha prometido no domingo que, em reunião convocada para o dia seguinte, o CNA alcançaria uma posição definitiva sobre se o partido retirava ou não o apoio formal ao presidente.

Tal reunião aconteceu ontem em Pretória e prolongou-se até à madrugada de hoje.