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O presidente do Governo de Espanha, o socialista Pedro Sánchez, pediu esta quarta-feira à direita espanhola, representada na sua maioria pelo conservador Partido Popular (PP), que se "desmarque" da extrema-direita e votar "não" à moção de censura apresentada contra si pelo partido de extrema-direita Vox que se debate hoje no Congresso dos Deputados.

O parlamento espanhol começou a debater esta quarta a moção de censura apresentada pela extrema-direita contra o Governo de coligação de esquerda encabeçado por Sánchez, uma iniciativa sem possibilidade de sair em frente dado a falta de apoios já que, a priori, apenas terá os votos dos 52 representantes desse partido no Congresso.

Para que a moção, a quinta na história da democracia em Espanha, seja aprovada, deve conseguir maioria absoluta, ou seja, 176 votos a favor dos 350 deputados com assento parlamentar.

Sem possibilidades de sair em frente, a expectativa está em saber o voto do PP, o líder da oposição com 88 deputados, que nos últimos dias recusou-se a esclarecer se irá votar contra ou abster-se.

"Você não é o beneficiário mas sim o alvo desta moção de censura", disse hoje Sánchez ao presidente do PP, Pablo Casado, durante a sua resposta ao líder da extrema-direita, Santiago Abascal.

O chefe do Executivo espanhol pediu a Casado que rejeite a iniciativa do Vox e proclame que "a direita não tem nada a ver com a extrema-direita", já que um sucesso de Abascal irá virar-se "contra todos", sobretudo contra o principal partido da oposição, augurou Sánchez.

À espera da votação marcada para esta quinta, o Partido Popular assegurou hoje que não vai apoiar a moção de censura do Vox ao considerar que reforça o Governo de Sánchez, "mobiliza a esquerda" e "polariza mais" o debate, mas continuou sem revelar se o seu voto será negativo ou se vai limitar à abstenção.

Para o Vox, a apresentação desta moção é "um dever nacional", disse hoje Ignacio Garriga, deputado encarregado do início do debate, que foi continuado por Abascal.

A moção, assegurou Garriga, não é "uma operação de marketing" do Vox nem procura reforçar a "coligação social-comunista" no Governo.

A sessão é realizada num plenário com metade da capacidade, pois os grupos parlamentares acordaram pôr este limite de modo a evitar contágios de coronavírus. O debate é realizado com o estado de emergência em vigor na cidade de Madrid e em plena segunda vaga da pandemia.