EFEMaputo

A polícia de Moçambique confirmou a morte de 52 pessoas na província nordeste de Cabo Delgado após um ataque do grupo jihadista Al Shabab, que não tem qualquer ligação com a organização homónima somali, informou esta terça-feira a imprensa estatal.

O massacre aconteceu no passado 7 de abril e pôs fim à vida de "forma cruel e diabólica" de 52 jovens na aldeia de Xitaxi (distrito de Muidumbe), detalhou o porta-voz da polícia Orlando Modumane no final desta segunda-feira numa conferência de imprensa em Maputo que apenas permitiu a presença da imprensa estatal.

O Al Shabab "tentou recentemente recrutar jovens para se juntarem às suas fileiras, mas estes, no entanto, resistiram, o que desatou a ira dos agressores, que os alvejaram e mataram", disse Modumane, citado esta terça-feira pelo jornal oficial "Notícias".

"Na sequência dos últimos atos criminosos registados em alguns distritos do norte da província de Cabo Delgado, as Forças de Defesa e Segurança intensificaram as suas ações operacionais de combate e perseguição", acrescentou o porta-voz da polícia.

O ataque poderá ser uma represália às recentes derrotas do Al Shabab às mãos de ex-combatentes da Guerra de Libertação de Moçambique (1964-1974) do grupo étnico Makonde -maioritário em Cabo Delgado- que se juntaram ao Governo na luta contra este grupo e causaram a morte de pelo menos 30 jihadistas, segundo revelaram fontes familiarizadas com o conflito ao semanário independente "Savana".

Este foi um dos piores ataques perpetrados por este grupo jihadista desde outubro de 2017, quando começou com as suas ações violentas nesta região rica em pedras preciosas (rubis) e depósitos de gás natural, que conta com a presença de grandes multinacionais como a italiana ENI ou a americana Anadarko.

No passado 23 de março, a organização jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria de um suposto ataque do Al Shabab à aldeia de Mocimboa da Praia, também localizada em Cabo Delgado, a cerca de 60 quilómetros a sul de vários projetos de extração de gás, embora não seja claro que haja vínculos entre os dois grupos.

Segundo dados da Amnistia Internacional, pelo menos 350 pessoas foram assassinadas desde 2017 em Cabo Delgado por grupos armados, número que o Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED, as suas siglas em inglês) aumenta a 910.