EFEMoscovo

O presidente da Bielorrússia, Alexandr Lukashenko, afirmou esta sexta-feira que vai deixar o poder depois da aprovação de reformas constitucionais no país, que propôs como resposta aos protestos iniciados do país em agosto, quando foi reeleito para um sexto mandato.

"Não estou a fazer nenhuma Constituição à minha medida. Com a nova Constituição eu não já não irei exercer como presidente", disse o chefe de Governo durante uma visita a um hospital que atende pacientes com covid-19, segundo a agência local de notícias "Belta".

O presidente, que foi declarado o vencedor das presidenciais realizadas neste ano, eleições consideradas fraudulentas pela oposição e países do Ocidente, criticou os manifestantes que, segundo ele, "atacam o presidente e a escala de poder" da Bielorrússia.

"Pedem democracia, que todos devem ser eleitos. Já vivemos isso com (o presidente soviético Mikhail) Gorbachev. E o que conseguimos com tantas eleições? Perdemos o país, e a União Soviética desintegrou-se. É essa a fruta podre que eles nos querem vender agora?", disparou.

Lukashenko defendeu a proposta de Constituição que apresentou e garantiu que o objetivo do texto não é "oferecer mais democracia". O presidente bielorrusso, inclusivamente, admitiu temer que um presidente sem experiência assuma o comando do país.

"Temos uma Constituição muito séria. Cazaquistão, Rússia, nós, somos três estados avançados que têm uma Constituição séria e firme, em que tudo depende da decisão do presidente. Nesse sentido, entendemos que alguém pode vir e desencadear uma guerra ou outra coisa", afirmou.

A oposição bielorrussa descreveu a proposta de Lukashenko como uma "imitação da democracia" que apenas procurava garantir a permanência do líder no poder e desviar a atenção das "eleições fraudadas" que geraram os maiores protestos populares no país desde o desmembramento da União Soviética.

Em setembro, Lukashenko admitiu que está há muito tempo no poder, há 26 anos, mas garantiu na ocasião que não pretendia renunciar ao cargo ou convocar novas eleições.