EFEMaputo

Filipe Jacinto Nyusi, vencedor das eleições em Moçambique do dia 15 de outubro, iniciou esta quarta-feira o seu segundo mandato consecutivo como presidente do país, declarando "a luta contra a pobreza como uma emergência nacional".

"Acredito nos moçambicanos, tenho fé na nossa capacidade de superar as adversidades. Sempre disse e continuo a dizer que Moçambique tem tudo para alcançar o sucesso", disse Nyusi numa cerimónia de tomada de posse na Praça da Independência de Maputo.

O chefe de Estado, cujo país é um dos mais pobres de África, tomou posse após o começo, na última segunda-feira, da nona legislatura, onde o seu partido, a Frente de Libertação Moçambicana (Frelimo), também conseguiu maioria absoluta.

Nyusi ganhou as eleições -cujo resultado a oposição apelou por irregularidades- com 72% dos votos, contra 21,88% do seu principal rival, Ossufo Momade, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o principal partido da oposição e antiga guerrilha.

Perante uma dezena de presidentes, entre eles o português Marcelo Rebelo de Sousa e o sul-africano Cyril Ramaphosa, o reeleito chefe de Estado moçambicano assegurou aos seus rivais políticos que "ninguém ganhou, nem perdeu, o povo moçambicano ganhou, a nossa democracia ganhou".

A rejeição por parte da Renamo dos resultados das eleições anteriores de 2014, que Nyusi também venceu, levou à retomada de um conflito armado que dura há mais de 40 anos entre a Frelimo -que governa desde a independência de Portugal em 1975- e a Renamo.

Nyusi e Momade assinaram um novo acordo de paz no passado mês de agosto -o terceiro- para acabar com as rivalidades e o conflito armado entre os dois partidos que data de 1977, quando a Renamo pegou nas armas, provocando uma das mais longas e sangrentas guerras civis da história recente, que deixou um milhão de mortos.

"A paz tem sido e será a nossa prioridade absoluta como condição indispensável para o desenvolvimento", assegurou hoje Nyusi.

Após o acordo de paz, o presidente terá que enfrentar a implementação do mesmo, assim como a insurgência com aparente influência jihadista do grupo Al Shabab (sem relação com a organização terrorista homónima na Somália) que tem vindo a devastar o norte do país há dois anos.

Embora o acordo de paz assinado em agosto tenha incorporado o desarmamento e a reintegração da ala armada da Renamo, este ainda não foi concluído, o que facilita a repetição de possíveis surtos de violência.