EFENursultan

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, afirmou esta sexta-feira durante um discurso à nação que deu a ordem expressa de "disparar a matar" sem aviso prévio contra os manifestantes responsáveis pelos graves distúrbios nos últimos dias, aos quais descreveu como "bandidos", caso resistirem às autoridades.

"Dei a ordem aos órgãos da polícia e do Exército de disparar a matar sem aviso prévio", disse o presidente, ao alertar de que não vai dialogar "com bandidos armados e preparados, tanto locais como estrangeiros".

O presidente cazaque observou que "os terroristas continuam a danificar a propriedade estatal e privada" e "utilizam as suas armas contra os cidadãos".

"Do estrangeiro, ouvimos apelos às partes para que realizem conversações com vista a uma solução pacífica. Que disparate! Como é que se pode dialogar com criminosos e assassinos", questionou o presidente.

Além disso, alertou que "a operação antiterrorista continua".

"Os combatentes não depuseram as suas armas, continuam a cometer crimes ou preparam-se para cometer novos crimes. A luta contra eles deve ser levada até ao fim. Aqueles que não se renderem serão eliminados", advertiu.

O presidente aproveitou a ocasião para atacar os serviços de segurança do Cazaquistão, que não conseguiram prever a possibilidade desta crise.

"É extremamente importante compreender por que razão o Estado adormeceu e não reparou na preparação clandestina de ataques terroristas e nas células 'adormecidas' dos combatentes", disse.

"Descobrimos que não dispomos de tropas especiais, meios e equipamento policial especial suficientes. Vamos resolver urgentemente este problema", sublinhou.

Segundo Tokayev, as ações dos manifestantes "mostraram a existência de um plano preciso contra instalações militares, administrativas e sociais", bem como "uma coordenação precisa das suas ações, elevada prontidão militar e crueldade animal".

"Além dos combatentes, havia especialistas preparados para uma sabotagem ideológica", acrescentou.

Tokayev aproveitou a oportunidade para saudar a rápida resposta da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança militar de seis antigas repúblicas soviéticas, que respondeu positivamente ao pedido de Nursultan de enviar tropas para ajudar a resolver a crise política na nação da Ásia central.

Em particular, agradeceu ao primeiro-ministro da Arménia, atualmente presidente pro tempore da OTSC, e aos presidentes da Bielorrússia, Quirguizistão e Tajiquistão.

"Dirijo palavras especiais de agradecimento ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Reagiu muito rapidamente, e acima de tudo, com um caloroso sentido de camaradagem, ao meu pedido", acrescentou.

Agradeceu também aos líderes da China, Uzbequistão e Turquia, assim como à ONU e outras organizações internacionais.

Em contraste, criticou o "papel instigante" dos media independentes e dos políticos estrangeiros, aos quais acusou de "se sentir acima da lei e considerar que têm o direito de se reunir e falar sobre o que quiserem".

"As ações irresponsáveis destes lamentáveis ativistas distraem a polícia do cumprimento das suas principais responsabilidades. São por vezes sujeitos a violência e ofensas", denunciou.

Além disso, responsabilizou-os pelas restrições impostas à Internet durante estes dias, "em resultado das quais os interesses de milhões de cidadãos e da comunidade empresarial nacional são afetados".

"Estes demagogos irresponsáveis tornaram-se cúmplices no desenvolvimento da tragédia no Cazaquistão", disse, observando que o Governo reagirá com mão firme ao que chamou de "atos de vandalismo legal".