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A primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, afirmou que ninguém poderá impor a instalação de bases da NATO ou armas nucleares no seu país, apesar do pedido de entrada na Aliança Atlântica, numa entrevista publicada esta quinta-feira no jornal italiano "Corriere della Sera".

"Ninguém virá até nós para impor armas nucleares ou bases permanentes se não as quisermos. Por isso, não creio que este assunto esteja na agenda. Não me parece que haja sequer interesse no destacamento de armas nucleares ou na abertura de bases da NATO na Finlândia", diz.

Marin ressalta que esta questão "não é um debate atual, o tema não faz parte da negociação" e acrescenta que "estas são decisões nacionais".

Relativamente à oposição à entrada na NATO tanto da Finlândia como da Suécia expressada pela Turquia, Marin diz que "nesta fase é importante manter a calma, ter conversações com a Turquia e todos os outros países membros, responder a quaisquer questões que possam existir e corrigir quaisquer mal-entendidos", porque "quaisquer problemas podem ser resolvidos com discussão e boa vontade".

Sobre a possível reação da Rússia à adesão da Finlândia à NATO, a primeira-ministra disse que o presidente do seu país, Sauli Väinämö Niinistö, já conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, "e a sua reação foi surpreendentemente tranquila".

"Esperamos que não haja ataques do lado russo, mas se houver estamos bem preparados para lidar com qualquer situação, incluindo ataques cibernéticos ou híbridos", acrescenta.

A primeira-ministra finlandesa espera que, apesar de uma possível adesão à NATO, o seu país continue a ser um intermediário e mediador em conflitos: "De facto, a decisão da candidatura à adesão à NATO é um ato de paz, não um ato de guerra. Temos de garantir que nunca haverá guerra em solo finlandês e tentaremos sempre resolver os problemas através da diplomacia".

"Infelizmente, nem todos os países pensam dessa forma. A Rússia não pensa assim, atacou a Ucrânia matando civis, crianças, mães, idosos, agindo de uma forma inaceitável. É por isso que devemos apoiar a Ucrânia e fazê-la ganhar a guerra, fornecendo armas, ajuda financeira e humanitária, lançando novas sanções contra a Rússia, que não vão parar até que seja detida", sublinhou.

Marin acrescentou que, precisamente devido ao "vizinho agressivo", a Finlândia já gasta mais de 2% do PIB na defesa (como exigido pelos acordos da NATO) e está há décadas a investir bastante em segurança.