EFEBanguecoque

O primeiro-ministro de Timor Leste, Taur Matan Ruak, apresentou esta terça-feira a sua demissão após o colapso da coligação governamental, reabrindo a crise política que o país tem vindo a arrastar desde as eleições de 2017.

O dirigente anunciou a sua demissão numa carta enviada ao presidente do país, Francisco Guterres "Lú Olo", mas ofereceu-se para permanecer no cargo até que a sua renúncia seja aceite de modo a "garantir as atividades do Governo", de acordo com um comunicado publicado no site do primeiro-ministro.

A decisão veio depois do executivo não ter conseguido aprovar o orçamento no final de janeiro, apesar de contar com a maioria suficiente, devido à abstenção do Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor Leste (CNRT), o principal partido da coligação.

Este partido é liderado pelo histórico líder guerrilheiro Xanana Gusmão, que no sábado anunciou a formação de uma nova maioria na qual é o principal candidato a assumir a chefia de Governo, cargo que já desempenhou entre 2007 e 2015.

Esta maioria não vai incluir o Partido da Libertação Popular de Taur Matan Ruak, com o qual o CNRT formou Governo junto a um partido menor após as eleições de maio de 2018, mas sim o Partido Democrata, até agora na oposição.

As últimas eleições foram realizadas de forma antecipada um ano depois das que levaram à formação do governo minoritário da histórica Frente Revolucionária de Timor Leste Independente (Fretilin), o partido de Lú Olo e a maior força parlamentar, que sucumbiu ao bloqueio parlamentar da coligação.

A votação de 2017 pôs fim ao Governo de coligação entre o CNRT e a Fretilin, que culminou numa legislatura estável depois do país ter ficado à beira de uma guerra civil em 2006 e a ONU ter enviado uma missão de segurança que durou até 2012.

Timor tem sido governada desde as eleições de 2007 por alianças multipartidárias, todas elas encabeçadas por líderes da resistência à ocupação indonésia do país, que começou em 1975, pouco depois da independência de Portugal, e durou até 1999.