EFEParis

18 pessoas foram detidas esta quarta-feira em Paris e arredores depois de uma madrugada de tumultos e brigas durante uma manifestação contra a violência policial, motivada por uma autópsia de um jovem negro que morreu em 2016 durante a sua detenção.

A polícia disse que, além disso, uma pessoa foi ferida durante o protesto, que, segundo os seus números, reuniu cerca de 20 mil pessoas e terminou com o lançamento de projéteis por parte dos agentes e a atos de vandalismo nas ruas, tendo entre eles uma esquadra como alvo.

Os agentes responderam com o lançamento de gás lacrimogéneo para acabar com o protesto, que tinha o seu epicentro na cidade de Clichy, ao norte da capital.

A manifestação foi convocada através das redes sociais e reuniu milhares de pessoas em Paris, apesar da proibição expressa das autoridades face ao estado de emergência sanitária que o país atravessa devido à pandemia de COVID-19.

Alguns dos manifestantes mostraram apoio a George Floyd, um negro de 40 anos que morreu durante uma abordagem policial em Minneapolis (Estados Unidos), mas a maioria exigiu justiça para Adama Traore, morto em 2016 sob custódia policial.

Após uma perseguição com a polícia, o jovem, então com 24 anos, foi preso em Beaumont sur Oise e imobilizado no chão com uma técnica policial que, segundo a sua família, causou a sua morte horas mais tarde, hipótese que não é confirmada pelos relatórios de peritos realizados pelo sistema judicial.

Os advogados da família apresentaram ontem as conclusões de um novo relatório médico realizado fora do processo judicial e que sustenta que a dureza da prisão causou a sua morte, considerando que a Justiça francesa está a fazer tudo o possível para proteger os agentes.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, condenou a violência demonstrada pelos manifestantes, lembrando que tais protestos são proibidos para impedir a circulação do coronavírus.

"Felicito as forças de segurança e de primeiros socorros pelo controlo e compostura", escreveu numa mensagem no Twitter.