EFEMoscovo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, destituiu esta quinta-feira dois generais da polícia devido ao caso de tráfico de drogas contra o jornalista investigativo Ivan Golunov.

Golunov foi libertado na terça-feira sem acusações depois do ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev, reconhecer a ausência de provas que demonstrassem a culpa do repórter do jornal digital Meduza, um dos mais críticos ao Kremlin.

Segundo informou o Kremlin em comunicado, Putin substituiu os generais da polícia Yuri Deviatkin e Andrei Puchkov, medida proposta por Kolokoltsev.

Deviatkin era até agora chefe do departamento de controlo de Tráfico de Drogas em Moscovo, enquanto Puchkov exercia o cargo de chefe de polícia no distrito oeste da capital russa.

O ministro do Interior ordenou também uma investigação interna depois do próprio Golunov e os seus colegas, assim como ativistas de direitos humanos e opositores, terem denunciado que o caso estava fabricado.

Golunov foi detido a 6 de junho, depois da polícia ter supostamente encontrado drogas na sua mochila e em sua casa, acusação que gerou uma mobilização sem precedentes entre a imprensa russa contra a arbitrariedade policial.

O próprio repórter declarou-se inocente desde o princípio e vinculou a perseguição policial com a sua atividade profissional, indicando que recebeu ameaças em várias ocasiões.

Embora o jornalista tenha sido libertado na terça-feira, mais de mil pessoas saíram esta quarta às ruas de Moscovo para protestar contra o fabrico de causas penais para calar vozes críticas.

Como a manifestação não tinha sido autorizada, centenas de manifestantes foram detidos pela polícia, mas praticamente todos foram libertados horas depois.

Nos últimos anos, pelo menos oito jornalistas e ativistas russos foram detidos pelas mesmas acusações que Golunov, entre eles, Oyub Titiev, diretor do escritório checheno da ONG Memorial, colocado sob prisão domiciliar na segunda-feira.