EFEMoscovo

O regime bielorrusso liquidou cerca de 20 ONGs, incluindo organizações de direitos humanos, e prometeu continuar com a perseguição contra estas, às quais o presidente do país, Alexandr Lukashenko, chamou na quinta-feira de "bandidos" e "agentes estrangeiros".

A ONG bielorrussa de direitos humanos Vesná informou na sua conta de Telegram que "se soube que a 22 de julho as autoridades liquidaram uma série de organizações", 21 no total, segundo uma lista publicada por esta instituição.

Entre as ONGs ilegalizadas estão o Centro de Transformação Legal, o Centro de Soluções Ambientais, o Centro de Diálogo Europeu, o Clube de Imprensa da Bielorrússia, o Gabinete para os Direitos das Pessoas com Deficiência, o Centro de Informação legal "Lawtrend", a Oficina de cinema social e o Centro de Projetos Urbanos e Iniciativas Espaciais, segundo a Vesná.

O Ministério da Justiça da Bielorrússia também denunciou a Associação de Jornalistas (BAJ) ao Supremo Tribunal e congelou a sua conta bancária a fim de a liquidar por alegada violação da legislação de ONGs.

O Ministério recorreu também ao Supremo Tribunal para desmantelar o Centro PEN, chefiado pela Nobel da Literatura de 2015 Svetlana Alexievich, membro da presidência do conselho de coordenação da oposição na Bielorrússia.

O PEN tinha denunciado recentemente 621 violações dos direitos culturais e humanos contra personalidades da cultura na primeira metade de 2021, mais que as pelo menos 593 registadas em todo o ano de 2020, segundo um relatório realizado pela Vesná.

O centro disse ainda que, a 30 de junho, havia 526 presos políticos na Bielorrússia, 39 dos quais são trabalhadores culturais.

Lukashenko disse esta quinta numa reunião do Conselho de Ministros que a "limpeza" das ONGs na Bielorrússia não é fácil, pois existem cerca de 2.000 que são "organizações não comerciais, bandidos e agentes estrangeiros num pequeno país".

Minsk permitiu-as há anos atrás, num impulso "democrático", disse. "Agora demos conta que está a prejudicar o Estado", assinalou Lukashenko, segundo a agência de notícias governamental BELTA.