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O Reino Unido planeia um estudo para saber a eficácia das vacinas contra a covid-19 no qual os voluntários imunizados serão deliberadamente infetados com o vírus e num ambiente controlado, segundo revelaram esta terça-feira fontes oficiais.

Os testes, conhecidos como "desafio humano" e patrocinados pelo Governo, devem começar em janeiro de 2021, envolvendo 90 voluntários saudáveis entre 18 e 30 anos, que receberão previamente uma vacina candidata.

O Governo confia que essas análises, lideradas por especialistas do Imperial College London, irão ajudar a acelerar o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus.

Os voluntários serão monitorizados para determinar se a vacina funciona e se há efeitos colaterais, disseram as autoridades, que não especificaram qual a vacina ou as vacinas que serão testadas.

Espera-se que os resultados desses testes de desafio humano sejam conhecidos em maio do próximo ano.

No entanto, para realizar esses testes, será primeiro necessário a aprovação dos reguladores.

Esses tipos de testes são uma forma muito mais rápida de testar vacinas experimentais, pois não é necessário esperar que o voluntário seja exposto ao vírus naturalmente.

O Governo confirmou um investimento de 33,6 milhões de libras (37 milhões de euros) para estes estudos, que serão realizados em colaboração com o Imperial College London; a empresa de investigação médica hVIVO, especializada nesse tipo de testes, e o Royal Free London Hospital, do Serviço de Saúde Britânico.

Os testes serão realizados sob estritas condições de controlo no hospital Royal Free.

Após os testes no hospital londrino, os voluntários serão avaliados por um período de um ano.

O ministro das Empresas britânico, Alok Sharma, disse hoje que o Governo "está a fazer tudo o que pode para combater o coronavírus, inclusivamente a apoiar os nossos melhores e mais brilhantes cientistas e investigadores na sua busca por uma vacina que seja segura e eficaz".

Existem mais de 100 vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento no mundo, algumas em estado muito avançado, entre elas a da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca.

"Para vacinas que estão nos fases finais de desenvolvimento e que já demonstraram ser seguras e eficazes nos estudos de Fase 3 (os últimos), os estudos de 'desafio humano' podem ajudar a compreender melhor se as vacinas previnem a transmissão", disse o vice-diretor médico do Governo, Jonathan Van-Tam.