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O ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, afirmou esta segunda-feira que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, quer "intimidar" o mundo com o seu desfile militar em Moscovo, e acusou os líderes militares russos de "corrupção".

Putin quer que o povo russo se sinta "espantado" e o mundo "intimidado" pelo "militarismo em curso", mas o conflito armado na Ucrânia "não faz mais que desonrar os soldados", assinalou Wallace num discurso pronunciado no Museu do Exército (Londres).

O ministro da Defesa referiu-se assim ao grande desfile militar organizado esta segunda-feira na Praça Vermelha de Moscovo, que comemora a vitória soviética sobre a Alemanha nazi.

"Tenho pensado no nível de sofrimento em toda a (extinta) União Soviética, mas também em como o sofrimento de então é utilizado agora para cobrir a incapacidade dos que lideram e estão por trás das paredes do Kremlin na comodidade e na segurança", acrescentou o ministro britânico.

Os líderes das forças armadas russas de hoje, acrescentou, "ainda levam a marca soviética: a marca da imoralidade e da corrupção", sublinhou Wallace.

"Através da invasão da Ucrânia, Putin, o seu círculo íntimo, os seus generais, estão agora a refletir sobre o fascismo e a tirania de há 77 anos, repetindo os erros dos regimes totalitários do século passado", acrescentou.

"Estão a mostrar o mesmo desprezo pela vida humana, a soberania nacional e o sistema internacional baseado em regras. O mesmo sistema, em particular a própria Carta das Nações Unidas, que concebemos juntos e pela qual lutamos e triunfamos juntos com a esperança de salvar as gerações futuras do flagelo da guerra", sublinhou o ministro.

A invasão da Ucrânia "sem provocação", "ilegal" e "sem sentido", com ataques deliberados a mulheres e crianças, "corrompe a memória dos sacrifícios passados", disse Wallace.