EFETeerão

O presidente do Irão, Hassan Rohani, disse neste domingo que o Irão vai continuar a fabricar mísseis e que nenhum país estará disposto a negociar com os Estados Unidos após a sua atitude em relação ao acordo nuclear assinado em julho de 2015.

Em discurso perante o parlamento, Rohani respondeu às reivindicações do presidente americano, Donald Trump, para, por um lado, frear os programas armamentistas de Teerão e, por outro, renegociar o acordo nuclear para corrigir os seus "defeitos".

"Estamos a fabricar e seguiremos a fabricar mísseis porque não violam nenhuma das leis internacionais, nem sequer a resolução 2231 do Conselho de Segurança", ressaltou Rohani.

Quanto ao acordo nuclear, assinado pelo Irão e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), o presidente iraniano considerou "ridículo" falar de uma nova negociação do mesmo.

"Os americanos estão a dizer que nós não somos de negociações, não somos de compromissos, não conhecemos os princípios internacionais", lamentou no seu discurso.

Neste sentido, Rohani considerou que os EUA estão "a violar explicitamente" acordos anteriores e a mostrar-se "indiferentes a uma negociação aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU", razão pela qual pôs em dúvida que outros países queiram negociar com Washington.

"Nós seguiremos com a defesa da nossa segurança nacional e saibam que qualquer violação aos seus compromissos será prejudicial para os senhores e a República Islâmica do Irão lhes dará uma resposta determinante", advertiu.

Rohani reuniu-se hoje em Teerão com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yukiya Amano, que reiterou que o Irão está a cumprir as suas obrigações do acordo nuclear.

Neste encontro, o presidente iraniano lembrou que a AIEA é o único órgão que pode certificar que o Irão respeita o pacto nuclear, e não os EUA, e que a cooperação do seu país com o organismo internacional foi "completa e significativa".

Rohani destacou ainda a importância da "imparcialidade e independência" da agência dirigida por Amano e criticou que alguns países como os EUA "tentem influenciar" nas suas decisões.

O acordo nuclear limita e supervisiona o programa atómico iraniano para evitar que a República Islâmica desenvolva armas nucleares, em troca da suspensão das sanções internacionais.