EFEMoscovo

A equipa responsável pelo combate ao coronavírus na Rússia alertou o presidente russo Vladimir Putin esta terça-feira de que o número de pessoas que contraíram Covid-19 no país pode ser muito maior do que os números oficiais mostram, em grande parte devido à falta de testes fora de Moscovo.

"Nem todas as regiões entendem. (O governador regional) vê que uma pessoa ficou doente, mas a realidade é que o número de exames é muito pequeno, e ninguém conhece a situação real", disse Sergei Sobianin, chefe do grupo de trabalho e também autarca de Moscovo, segundo agências locais.

Sobianin pediu a Putin que ordene mais rápido possível um controlo mais rígido da situação epidemiológica no resto da Rússia, que já confirmou 495 casos de coronavírus.

"Nas regiões, é preciso uma preparação para uma situação e problemas complexos. Se os problemas acontecerem longe, melhor, mas é preciso estar preparado", enfatizou.

O político reconheceu que o principal risco em relação à doença transmitida pelo coronavírus envolve as pessoas com mais de 65 anos, mais suscetíveis a complicações clínicas. Além disso, alertou para o risco de colapso do sistema de saúde russo.

Sobianin considera necessário estender a outras regiões com alto índice de contágio a ordem de que todos os maiores de 65 anos fiquem em casa ou nas suas 'dachas' (casas de campo). A avaliação é que a medida devia ser obrigatória em todas as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, começando pela segunda maior cidade do país, São Petersburgo.

O autarca moscovita também advertiu que a maioria das pessoas que regressou do exterior -quase 1 milhão nos últimos 10 dias- não passou por nenhum exame médico e optou pelo isolamento obrigatório de duas semanas em suas casas.

"Se eles se sentem bem, graças a Deus, ficam em casa. Mas o número real de pacientes é muito maior", disse.

Quanto à capital, Sobianin ressaltou que "atualmente existem cerca de 500 (suspeitos de terem contraído Covid-19), parte ainda não testada".

"Mas já vemos que 80% ou 90% terão confirmação. São entre 400 e 500 pessoas, uma dinâmica bastante alta. Isso é sério", afirmou.

Conforme relatado esta terça pelas autoridades, mais de 93.000 pessoas estão atualmente sob observação médica em todo o país.

"Ontem fizemos três testes, e até ao final da semana serão realizados 13.000 testes nos nossos laboratórios em Moscovo, disse o autarca.

Alguns especialistas independentes questionaram os números oficiais da imprensa russa e acusaram as autoridades de ocultar o número de mortes por doenças respiratórias, como pneumonia.

Sobianin divulgou na semana passada que uma mulher tinha morrido de Covid-19, mas depois voltou atrás e disse que a causa foi uma trombose.

Quem também recomendou a Putin para se preparar para o pior foi Denis Protsenko, médico-chefe do hospital Número 40, em Kommunarka, com quem o presidente russo conversou pessoalmente esta terça-feira.

"Do ponto de vista médico, agora existem dois cenários: o asiático, quando isso se acalma rapidamente, e o italiano, quando isso aumenta. Eu, como médico, considero que é muito importante preparar para o cenário italiano, caso haja uma explosão", explicou.

As autoridades russas recomendaram a todas as regiões o fecho de cinemas, casas noturnas e centros de entretenimento para conter a expansão da pandemia. Escolas e museus já tinham suspendido as atividades, e também foi decretada a proibição de eventos públicos com mais de 50 pessoas.