EFEMoscovo

A resposta da Rússia à Lituânia pela sua decisão de bloquear parcialmente o tráfego de mercadorias para o enclave russo de Kaliningrado terá graves consequências para a população deste país báltico, alertou hoje o secretário de Conselho de Segurança de Rússia, Nikolai Patrushev.

"A Rússia vai sem dúvida reagir a estas ações hostis. As medidas correspondentes estudam-se em formato interinstitucional e serão aprovadas em breve. As suas consequências irão afetar gravemente a população da Lituânia", afirmou Patrushev desde Kaliningrado, onde esteve hoje de visita para abordar este problema, segundo a agência Interfax.

Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança russo, Evgeny Anoshin, Patrushev discutiu com as autoridades de Kaliningrado os "problemas de acessibilidade dos transportes" a esta região.

Além disso, discutiu medidas para "garantir o funcionamento ininterrupto do sistema energético de Kaliningrado, e problemas relacionados com a manutenção da linha de fibra ótica submarina que liga esta região" com outras zonas do país.

Patrushev também debateu as medidas tomadas para garantir os serviços de telefonia móvel e o acesso à rádio russa.

Kaliningrado, antiga Konigsberg, é um enclave separado do resto da Rússia e faz fronteira com dois países da UE e da NATO, a Lituânia e a Polónia.

As autoridades lituanas tomaram a decisão de restringir a partir de sábado o tráfego ferroviário através do seu território para Kaliningrado, como parte das sanções impostas à Rússia pela sua "campanha militar" na Ucrânia.

O governador de Kaliningrado, Anton Alikhanov, estimou que as cargas bloqueadas constituem 40-50% do total das importações do território.

Alikhanov admitiu que as autoridades lituanas informaram o Serviço Ferroviário de Kaliningrado da sua decisão, que entrou oficialmente em vigor à meia-noite de sexta-feira a sábado.

Neste contexto, o secretário do Conselho de Segurança russo culpou o Ocidente de ignorar durante anos as propostas de segurança russas e, assim, enveredar pelo caminho do confronto com a Rússia.

"Há muitos anos que o Ocidente não tem em conta as propostas da Rússia para resolver questões-chave para a nossa segurança, o fim do avanço da NATO para leste e a não colocação de infraestruturas militares perto das nossas fronteiras", indicou.

Isto leva à conclusão, afirmou, "que os EUA, ao recusarem o diálogo construtivo com a Rússia na esfera da segurança estratégica, optaram pelo confronto político-militar com a Rússia".

"Os anglo-saxões delegaram o papel principal neste confronto à Ucrânia", afirmou.