EFEMoscovo

O chefe do Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia (SVR, na sigla em russo), Sergei Narishkin, acusou esta quarta-feira os Estados Unidos de patrocinarem com dezenas de milhões de dólares os protestos contra o Governo da Bielorrússia.

"Embora no plano público Washington se tente manter nas sombras, após o início dos protestos massivos de rua, os americanos aumentaram várias vezes o financiamento das forças anti-governamentais da Bielorrússia", disse Narishkin num comunicado divulgado por agências de notícias russas.

Narishkin estimou esse financiamento em "várias dezenas de milhões de dólares" e lembrou que "o Ocidente começou a preparar os protestos muito antes das eleições na Bielorrússia".

"Só entre 2019 e o início de 2020 enviaram cerca de 20 milhões de dólares por meio de ONGs a organizações antigovernamentais", disse.

Na sua opinião, os EUA tentaram organizar uma "nova revolução das cores" e um "golpe inconstitucional", mas que os seus objetivos nada têm em comum com os interesses da Bielorrússia.

"De acordo com os dados do SVR, os Estados Unidos desempenham um papel fundamental nos eventos atuais na Bielorrússia", afirmou.

Narishkin assegurou que Washington patrocinou a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaia, atualmente no exílio, e outros opositores que considera como "líderes populares" e futuros líderes de uma "Bielorrússia democrática".

Com o apoio da União Europeia (UE), os EUA pedem que seja exercida uma pressão sobre Minsk para que obrigue o presidente Aleksandr Lukashenko, a abrir um diálogo com o Conselho de Coordenação da oposição para a transferência de poder.

Lukashenko, que durante a campanha eleitoral acusou o Kremlin de tentar desestabilizar a situação na ex-república soviética, em meados de agosto acusou os Estados Unidos de estarem à frente dos protestos antigovernamentais e os membros da UE de jogarem o seu jogo.

Na última segunda-feira, Aleksandr Lukashenko recebeu, durante um encontro em Sochi, o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que lhe prometeu 1.500 milhões de dólares em empréstimos e incentivou-o a reformar a Constituição para sair da atual crise.