EFENações Unidas

Rússia e China vetaram esta quinta-feira no Conselho de Segurança da ONU uma resolução proposta pelos Estados Unidos para reforçar as sanções internacionais contra a Coreia do Norte em resposta aos seus últimos testes de mísseis.

O texto recebeu o apoio de 13 dos 15 membros do Conselho de Segurança, mas não foi adiante, já que Moscovo e Pequim têm poder de veto e podem bloquear a medida.

A iniciativa dos Estados Unidos buscou reforçar as punições que pesam sobre o Governo de Pyongyang, que realizou até agora este ano 17 rondas de testes de mísseis, contrariando as próprias resoluções do Conselho de Segurança que os proíbem.

Os EUA anunciaram há dois meses que tentariam endurecer as sanções e, desde então, tentaram sem sucesso convencer a China e a Rússia a fazê-lo, argumentando que as Nações Unidas precisam de responder claramente às provocações norte-coreanas.

"A Coreia do Norte interpretou o silêncio deste Conselho como uma luz verde para agir com impunidade e aumentar a tensão na península", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, antes da votação.

No entanto, as delegações chinesa e russa, mais uma vez, insistiram que as sanções não são a resposta adequada e culparam os EUA pela situação atual.

Rússia e China dizem há meses que o que precisa ser feito é diminuir as sanções para reconhecer os gestos de aproximação que a Coreia do Norte fez nos últimos anos, em que chegou a negociar com o Governo dos EUA quando era liderado pelo presidente Donald Trump.

A Coreia do Norte abandonou durante um tempo os seus testes de armas, mas retomou-os devido à falta de progresso no diálogo com os Estados Unidos, que não obteve resultados concretos e que agora permanece congelado.

Rússia e a China culpam os EUA por este bloqueio, dizendo que não fizeram concessões e não retribuíram os gestos do regime de Kim Jong-un.

O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, disse esta quinta-feira que impor mais sanções não só não resolverá o problema, como complicará ainda mais as hipóteses de avançar e poderá punir a população num momento complicado pelo surto de covid-19 no país.

O seu homólogo russo, Vasily Nebenzya, afirmou que a "linha dura" do Governo americano "destruiu completamente o progresso positivo" registado nos anos anteriores.

"Aumentar a pressão com sanções sobre Pyongyang não é apenas inútil, como extremamente perigoso do ponto de vista humanitário", disse Nebenzya.

Embora sempre tenham mantido posições diferentes sobre a Coreia do Norte, as potências do Conselho de Segurança conseguiram durante anos concordar em responder ao programa nuclear e de mísseis de Kim e evitar vetos cruzados.

Depois de impor as primeiras sanções em 2006, após a Coreia do Norte realizar o seu primeiro teste atómico, o Conselho de Segurança endureceu progressivamente as punições até 2017, quando aprovou o pacote mais recente, que incluía fortes limitações ao acesso a derivados de petróleo e vetos às exportações de diversos setores.

A resolução proposta pelos EUA procurou acrescentar novas restrições para pressionar o Governo norte-coreano e, segundo Washington, facilitar em simultâneo o fornecimento de ajuda humanitária à população.

Embora, tirando Rússia e China, o restante dos países tenha apoiado a iniciativa, vários Estados-membros tentaram até ao último momento adiar a votação para procurar conseguir algum tipo de compromisso e evitar uma rutura tão clara no Conselho, segundo fontes diplomáticas.