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O ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini, confirmou hoje que ainda não deu autorização de atraque ao patrulheiro "Diciotti" da Guarda Costeira italiana com 67 imigrantes a bordo, que recebeu de um navio privado que os recuperou frente à costa da Líbia.

A recusa de Salvini está a gerar mal-estar entre membros do Governo, formado pela Liga e o Movimento 5 Estrelas (M5S), já que se está a bloquear a entrada em porto de um navio italiano e da Guarda Costeira.

Salvini justificou a sua decisão ao assegurar que entre estes imigrantes há "gente que agrediu e ameaçou e que não têm que acabar num hotel mas sim na prisão".

"Não vou dar autorização até que não tenha garantias quanto à segurança dos italianos e que estes delinquentes, que não são refugiados, acabem por um tempo na prisão e o mais rápido possível repatriados aos seus países", explicou Salvini depois de se reunir hoje com o presidente do Governo, Giuseppe Conte.

Os 67 imigrantes foram resgatados pelo navio privado italiano Vos Thalassa, que trabalha para uma petrolífera, ao qual o Interior inicialmente não concedeu um porto para atracar, já que os acusou de terem intervindo quando a Guarda Costeira italiana estava já a chegar.

Os imigrantes foram então levados ao barco "Diciotti" da Guarda Costeira italiana depois de alguns "terem posto em perigo a vida da tripulação", segundo explicou o ministro dos Transportes, Danilo Toninelli.

Fontes do Interior explicaram que os imigrantes, entre os quais há homens, mulheres e crianças, são 4 da Argélia, um do Chade, um do Bangladesh, dois do Egito, um do Gana, dez da Líbia, quatro de Marrocos, um do Nepal, 23 do Paquistão, sete da Palestina, doze do Sudão e um do Iémen.

Os que foram acusados de ameaçar a tripulação que os tinha acolhido inicialmente são um ganês e um sudanês, acrescentaram as mesmas fontes.

A ministra da Defesa, Elisabetta Trenta, defendeu em entrevista publicada hoje no jornal Avvenire que "o caminho não é fechar os portos".

Por sua parte, o vice-presidente e líder do M5S, Luigi di Maio, afirmou que embora "não quer outro ministro contra o ministro do Interior, não se pode imaginar fechar um porto a um navio italiano".

No entanto, Di Maio acrescentou que compartilha a "perplexidade" do que está a acontecer no Mediterrâneo.