EFEDavos (Suíça)

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse esta quinta-feira que a Europa não pode permitir que o presidente russo, Vladimir Putin, ganhe a guerra, e garantiu que isso não vai acontecer.

"Não podemos permitir que Putin ganhe a guerra e acho que não o fará. Até agora não conseguiu nenhum dos seus objetivos estratégicos, e um deles, o de ocupar toda a Ucrânia, está mais longe do que nunca", disse Scholz num discurso no Fórum Económico de Davos, que termina hoje a sua reunião anual.

Para o chanceler alemão, o que está em jogo desde o começo da agressão russa à Ucrânia é todo o sistema de cooperação internacional que foi desenhado depois da Segunda Guerra Mundial. Scholz, que começou o discurso com uma alusão ao livro "A Montanha Mágica" de Thomas Mann, afirmou que a invasão russa da Ucrânia a 24 de fevereiro foi como um "raio".

"Uma potência nuclear comporta-se como se tivesse direito a voltar a desenhar as fronteiras, para quem a soberania e autodeterminação não são para todos, isto é imperialismo, que ameaça regressar a uma época em que a guerra era um instrumento comum da política", assinalou.

Na sua opinião, a forte resposta internacional à flagrante violação do direito internacional por parte da Rússia foi importantíssima, já que demonstra que "um mundo multipolar não é um mundo sem regras".

"Putin subestimou o vigor e a unidade da nossa resposta. Ditamos as sanções mais duras e de maior alcance contra um país do tamanho da Rússia", disse o chefe do Governo alemão, que foi o último líder político a discursar no Fórum de Davos deste ano.

Face à agressão contra a Ucrânia e à crise internacional que isto provocou, Scholz disse à audiência que esta situação levou o seu país, pela primeira vez, a "entregar armamento, inclusivamente armamento pesado, a um país em guerra", o que tem sido uma mudança substancial na política de defesa alemã.

Isso representará também um investimento sem precedentes nos próximos anos, de 100.000 milhões de euros.