EFEWashington

O senador republicano Tom Cotton, do estado do Arkansas, que apresentou na semana passada um projeto de lei para impedir o uso de fundos federais na reinterpretação da história dos Estados Unidos nas escolas, fez uma declaração polémica à imprensa local, ao afirmar que a que escravidão "foi um mal necessário" sobre o qual o país foi construído.

"Precisamos de estudar a história da escravidão e o seu papel e impacto no desenvolvimento do nosso país, porque, caso contrário, não vamos entender o nosso país", disse Cotton numa entrevista ao jornal "Arkansas Democrat-Gazette".

"Como dizem os nossos heróis, a escravidão foi um mal necessário sobre o qual a união foi construída, mas a união foi construída de tal maneira, como disse o presidente Abraham Lincoln, que colocou a escravidão no caminho da sua extinção final", acrescentou.

Cotton apresentou a sua iniciativa no Senado na última quinta-feira em reação a um currículo escolar oferecido pelo jornal "The New York Times" que enfatiza o estudo da escravidão e não o processo que levou à independência dos EUA.

Embora o ano de 1776, quando a independência foi declarada, seja considerado o nascimento oficial da nação, o Projeto 1619 preparado pelo "NYT" concentra-se na origem do país na chegada dos primeiros escravos africanos à colónia britânica na Virgínia.

O projeto, liderado por Nikole Hannah-Jones e galardoado com o Prémio Pulitzer, argumenta que "chegou a hora de contar com sinceridade a nossa história, colocando as consequências da escravidão e as contribuições dos afro-americanos no centro da narrativa nacional".

Cotton disse ao jornal que "o projeto 1619 é propaganda de esquerda" e que "é o revisionismo histórico na pior das hipóteses".

Se a lei de Cotton, intitulada "Vamos salvar a história americana", for aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente Donald Trump, os distritos escolares que adotarem o Projeto 1619 poderão enfrentar consequências financeiras com cortes na ajuda federal.

O jornal de Arkansas citou uma declaração do porta-voz do "Times", Jordan Cohen, dizendo que o projeto "é sustentado, em parte, por décadas de estudos académicos recentes liderados por ilustres historiadores desde os primeiros dias do país".

Esses estudos, de acordo com Cohen, "expandiram profundamente a nossa compreensão do período colonial e revolucionário, e grande parte dessa investigação académica concentrou-se no papel central que a escravidão desempenhou na fundação do país".

Cotton disse ao jornal que o seu projeto impediria que os distritos escolares que adotem o Projeto 1619 acedam a fundos federais para desenvolvimento profissional, ou seja, a educação adicional para os professores.

"Não seria muito dinheiro", reconheceu Cotton, "mas mesmo cada cêntimo é demasiado para o Projeto 1619 entrar nas nossas escolas públicas. O 'New York Times' não devia ensinar história americana aos nossos filhos", acrescentou.