EFEEdimburgo (Reino Unido)

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou que espera que a maioria dos cidadãos apoie a independência do país do Reino Unido num novo referendo que pode acontecer nos próximos anos.

A imprensa local repercutiu esta segunda-feira uma entrevista transmitida ontem à noite pela "CNN", na qual Sturgeon se mostrou otimista sobre a Escócia optar pela independência numa nova consulta, após 55% dos cidadãos ter votado contra a proposta na realizada em 2014.

"Gostaria pensar que sim e acredito que assim será. Não vou colocar uma particular escala de tempo neste momento, mas num futuro não muito distante acredito que a Escócia será um país independente que deseja unir-se à União Europeia (UE) e procurar uma cadeira nas Nações Unidas", afirmou.

A também líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) disse que acredita que mais escoceses vão apoiar a independência uma vez que aconteça o "brexit" (a saída do Reino Unido da UE), previsto para 29 de março.

"Acredito que haverá outro referendo de independência. E quando isso acontecer, acho que desta vez a Escócia votará para ser independente. Será uma forma de proteger o nosso lugar na Europa e assegurar que as decisões que influenciam na direção do nosso país sejam tomadas na Escócia, não em Londres", declarou.

Sturgeon ressaltou que o fato de que a Escócia vai ficar fora do clube comunitário contra a sua vontade, já que, precisou, 62% do eleitorado rejeitou o "brexit" em 2016, o que acontece porque a região não tem poderes para tomar as suas próprias decisões.

"Esse défice democrático, ao qual a Escócia enfrenta como parte do Reino Unido, indubitavelmente faz com que muitas pessoas queiram voltar a reabrir o debate sobre a Escócia se transformar num país independente", apontou.

Perguntada sobre os tempos que tem para colocar sobre a mesa uma nova reunião com as urnas, Sturgeon afirmou que o momento "ainda não foi determinado", já que existe "muita preocupação sobre o processo do 'brexit'".

"Como primeira-ministra, disse que irei expor a minha opinião sobre o calendário de outro referendo de independência nas próximas semanas, uma vez que vejamos como se desenvolve o processo do brexit", reiterou.

Sturgeon concedeu a entrevista durante a sua visita oficial aos Estados Unidos, que teve como objetivo demonstrar que a Escócia "continua aberta aos negócios", já que, apesar dos desacordos com o presidente americano, Donald Trump, ambos territórios "têm uma relação muito sólida e duradoura" independentemente de quem os governe.