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Vários representantes do Governo talibã pediram ao relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Afeganistão, Richard Bennett, de visita oficial ao país, para se fixar em "factos" e no contexto da cultura afegã, face às críticas sobre as suas políticas para as mulheres.

Bennett, que segundo a ONU irá estar no Afeganistão entre 15 e 26 de maio, reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, e o vice-primeiro-ministro para Assuntos Políticos, Abdul Kabir.

"Muttaqi pediu a Richard que apresente um relatório autêntico que esteja baseado em factos, não nos meios de comunicação, nos círculos tendenciosos e nas figuras da oposição que vivem no estrangeiro", anunciou esta quarta-feira nas redes sociais o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros afegão, Abdul Qahar Balkhi.

O porta-voz também detalhou que Muttaqi quis salientar ao relator especial da ONU o contexto "sobre os valores religiosos e culturais, além das características culturais do povo afegão", para que os levasse em conta na redação do relatório final sobre a situação dos direitos humanos no país.

Bennett, segundo o porta-voz talibã, agradeceu a documentação fornecida e "prometeu que o seu relatório se vai basear em factos".

Os direitos humanos no país têm vivido um forte retrocesso desde o regresso dos talibãs ao poder, sobretudo no caso das mulheres, pois os fundamentalistas não cumpriram as suas promessas e impuseram mais restrições.

Os islamistas impuseram às mulheres o uso de vestimentas que as cobrem por completo, como a burca, limitaram o seu acesso aos postos de trabalho, exceto em algumas exceções, como no setor da saúde, obrigaram-nas a viajar acompanhadas de um homem da família e fecharam as escolas às estudantes do ensino secundário, entre outras medias.

No entanto, os talibãs ressaltam que muitas destas limitações são temporárias, estando apenas em vigor enquanto se procura um modo em que a mulher possa por exemplo ir à escola ou ao trabalho dentro do âmbito da lei islâmica e da cultura afegã, que segundo os islamistas rejeita o contacto geral entre homens e mulheres.