EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou esta sexta-feira o que chamou de plano Platinum, para atrair eleitores da população afro-americana, com promessas como classificar a organização Ku Klux Klan (KKK) e o movimento Antifa como grupos terroristas e declarar como feriado nacional o dia 19 de junho, quando é celebrada a festa que comemora a emancipação dos escravos, conhecida como Juneteenth.

"Estou aqui para anunciar um novo plano para trazer mais oportunidades, mais segurança, mais justiça e mais prosperidade à comunidade negra", disse Trump num ato de campanha em Atlanta, no estado da Geórgia.

Segundo o mandatário, trata-se de "um contrato com os afro-americanos, e vai ser algo que as pessoas vão falar por muito tempo".

"Se votarem nos republicanos por mais quatro anos, vamos criar 3 milhões de novos empregos para a comunidade negra, abrir 500 mil novos negócios com proprietários negros, aumentaremos o acesso da comunidade negra ao capital em 500.000 milhões de dólares", anunciou.

Trump enfatizou que a iniciativa vai incluir investimentos no desenvolvimento de comunidades e instituições financeiras, além de "construir bairros urbanos pacíficos e mais seguros com os mais altos padrões de vigilância policial".

No discurso, Trump ofereceu poucos detalhes sobre o projeto, que, de acordo com um documento divulgado pela equipa de campanha, inclui "processar o KKK e o Antifa como organizações terroristas" e fazer com que o "linchamento", um termo associado nos EUA com o assassinato e enforcamento de negros por motivos racistas, seja considerado de ódio ao nível nacional.

A iniciativa também prevê que o Juneteenth se torne um feriado nacional. A celebração remonta ao dia 19 de junho de 1865, quando um general da União, Gordon Granger, leu uma ordem federal declarando liberdade para escravos negros em Galveston, Texas, dois anos e meio após o presidente Abraham Lincoln ter assinado a Proclamação de Emancipação.

O plano busca promover oportunidades económicas para pequenas empresas geridas por cidadãos negros com 400.000 milhões em empréstimos e assistência técnica.

O anúncio da iniciativa vem após o regresso dos protestos raciais em algumas partes do país, depois da procuradoria ter decidido não acusar de assassinato os agentes policiais envolvidos na morte da cidadã negra Breonna Taylor, em março, em Louisville (Kentucky).

Taylor morreu após ser baleada seis vezes numa rusga policial na sua casa por três agentes à paisana que atiraram indiscriminadamente depois do namorado da mulher os ter confundido com assaltantes e disparado.

Desde o início dos protestos, Trump tem culpado o movimento Antifa de estar por trás da organização dos tumultos nas principais cidades do país.

Antifa é um movimento anarquista sem estrutura hierárquica ou programa claro, cujos objetivos vão desde a mais radical luta antissistema até à busca de justiça social. O objetivo mais comum dos seus apoiantes é derrubar grupos fascistas, racistas, neonazis e de extrema-direita.