EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou esta quinta-feira medidas para agradar eleitores evangélicos e tentar manter o apoio dessa parcela da população nas eleições de novembro deste ano.

Um dos projetos visa evitar que as escolas públicas impeçam de alguma forma que os estudantes façam orações nas próprias instituições. O outro tem como objetivo aumentar o valor de fundos do Governo federal destinados a organizações religiosas.

Três semanas depois de ver a principal revista evangélica do país, a "Christianity Today", virar-se contra si, Trump publicou uma diretriz na qual lembra a estudantes, pais e professores que eles podem denunciar as suas escolas aos respetivos governos dos seus próprios Estados caso presenciem alguma tentativa de reprimir as orações.

"Tragicamente há um crescente impulso totalitário por parte da extrema esquerda, que procura punir, restringir e inclusivamente proibir a expressão religiosa", disse Trump durante um evento no Salão Oval da Casa Branca.

Apesar de estar cercado por estudantes e professores que relataram casos em que foram vítimas de preconceito religioso, especialistas afirmaram que não há provas de que este seja um problema grave ou de grandes proporções dentro do sistema educativo.

"Isto é, de certa forma, uma crise fabricada. Funciona bem politicamente dizer que quer 'Deus de volta às nossas escolas", afirmou Charles C. Haynes, especialista em liberdade religiosa nas escolas da organização Freedom Forum, ao jornal The Washington Post.

O Supremo Tribunal dos EUA proibiu as orações institucionalizadas nas escolas na década de 60, mas os estudantes têm o direito de orar sozinhos ou em grupos desde que não obriguem outros alunos a fazer parte da reza.

Trump também revogou um decreto assinado pelo ex-presidente Barack Obama que obrigava organizações religiosas de todo o tipo a avisar os seus potenciais clientes de que eles poderiam obter o mesmo serviço de uma instituição laica.

Além disso, o Escritório de Gestão e Orçamento dos EUA propôs uma regra para que os órgãos do governo não possam levar em consideração fatores religiosos ao decidir com quem assinar um contrato. A medida pode ampliar as quantias destinadas a organizações do tipo.

Os evangélicos brancos são um dos grupos mais fiéis do eleitorado de Trump, e o presidente quer mantê-los como aliados apesar da ruptura da influente revista, que em dezembro defendeu que o presidente enfrentasse um processo de destituição.