EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu esta quarta-feira que o processo de "impeachment" aberto pela Câmara dos Representantes contra si, considerado pela Casa Branca como "ilegítimo", vai acabar no Supremo Tribunal.

Um dia depois de informar em carta que não vai cooperar com a investigação feita pela oposição democrata sobre a pressão exercida pela Casa Branca sobre a Ucrânia para a abertura de inquéritos contra o ex-vice-presidente Joe Biden, Trump admitiu que pode recorrer à Justiça para evitar a sequência do processo no Congresso.

"Ontem escrevemos uma carta e provavelmente isso acabará como um caso do Supremo Tribunal. Pode durar muito tempo, mas os democratas trataram o Partido Republicano muito mal", disse Trump à imprensa no Salão Oval da Casa Branca.

Perguntado se alguma circunstância o faria cooperar com a investigação, Trump afirmou que primeiro é preciso que a oposição democrata atenda aos pedidos feitos pelos seus advogados na carta enviada na terça às principais lideranças do Congresso.

Os advogados da Casa Branca questionam que a abertura do processo não foi votada no plenário da Câmara dos Representantes e que isso privou a minoria republicana da possibilidade de chamar testemunhas ou interrogar as pessoas convocadas pelos democratas.

No entanto, não está claro se a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, tem a obrigação constitucional de atender às garantias exigidas por Trump antes do início do "impeachment".

Enquanto a batalha com os congressistas democratas continua, a campanha à reeleição de Trump estreou esta quarta um anúncio no qual repete as acusações contra Biden. O presidente afirma que, enquanto era vice-presidente, o pré-candidato democrata exigiu a demissão do procurador-geral da Ucrânia para evitar uma investigação contra a empresa de gás natural na qual o seu filho, Hunter Biden, trabalhava.

O vídeo está a ser exibido em emissoras de estados-chave para as eleições presidenciais de 2020.

Trump ainda elevou o tom dos ataques contra o delator anónimo que denunciou a polémica chamada entre si e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski. Para o republicano, a identidade do informante deveria ser revelada.

"Não sei porque uma pessoa que fraudou o povo americano deveria ser protegida", afirmou Trump, apesar de haver uma lei que garante o direito dos delatores.

Segundo especialistas em Direito Constitucional, a carta enviada pela Casa Branca pode dar munição aos opositores no processo de "impeachment", podendo ser encarado como uma prova de que Trump está a obstruir o trabalho de outro poder, o Congresso.

"Isso é uma crise constitucional. Estamos há quase três anos a questionar se chegaríamos a esse ponto e aqui estamos, vendo como um presidente ignora a autoridade constitucional do Congresso para conduzir uma investigação de destituição", disse a professora de Direito da Universidade de Loyola, Jessica Levinson, ao site Vox.

Lucía Leal