EFEAncara

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Çavusoglu, disse esta sexta-feira que espera "passos concretos" da Suécia e Finlândia para aprovar a sua entrada na NATO, que Ancara tem vetado pois considera que ambos países apoiam grupos curdos que considera terroristas.

Numa conferência de imprensa em Istambul junto ao seu homólogo romeno, Bogdan Aurescu, e polaco, Zbigniew Rau, o chefe da diplomacia turca disse que o seu país não permitirá a adesão à Aliança dos dois candidatos nórdicos a não ser que "cortem o seu apoio ao terrorismo".

Ancara alega que Suécia e Finlândia apoiam movimentos na órbita do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda da Turquia, também considerada terrorista pela União Europeia e EUA.

Além disso, assinala que as milícias curdo-sírias Unidades de Proteção Popular (YPG) são um mero ramo do PKK. Essas milícias curdo-sírias têm sido aliadas dos EUA na luta na Síria contra o Estado Islâmico e não são consideradas terroristas nem por Washington nem por Bruxelas.

Tanto Aurescu como Rau destacaram na conferência de imprensa a importância da entrada desses países na NATO e a esperança de que o diálogo direto da Suécia e Finlândia com a Turquia permita em breve um acordo.

"A nossa opinião sobre este tema é clara", disse Çavusoglu, que recordou que forneceu documentação sobre essas "organizações terroristas" às delegações dos dois países nórdicos que negociaram com a Turquia esta quarta-feira.

"Estamos à espera de respostas destes dois países, estamos à espera que sejam dados passos concretos", acrescentou.

"Têm que cortar o seu apoio ao terrorismo. A entrada da Macedónia na NATO durou 11 anos. Porquê? Porque a Grécia queria que mudassem o seu nome. Não queremos que um país mude de nome, mas esperamos passos concretos na luta contra o terrorismo", ressaltou o ministro turco.

Além disso, Çavusoglu disse que esses países devem levantar a sua proibição à venda de armas à Turquia, uma medida que impuseram depois das incursões turcas na Síria contra a milícia YPG.

Nesse sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco enfatizou que "outros países aliados devem incentivar ambas nações (Suécia e Finlândia) a responderem às preocupações turcas".