EFEKiev

Um conselheiro da presidência da Ucrânia confirmou esta terça-feira que as conversas de paz com a Rússia estão "em espera" porque, segundo ele, Moscovo está relutante em aceitar que as condições que estavam em vigor no início da guerra mudaram substancialmente.

O conselheiro em questão, Mikhail Podolyak, disse que o governo russo não entende "os processos que estão a ocorrer atualmente no mundo" em relação à invasão e que a guerra já não está a prosseguir "com base nas normas, planos e objetivos do Kremlin".

Em declarações citadas pelo jornal "Ukrainskaya Pravda", Podolyak acrescentou que Moscovo também não está disposta a desistir da propaganda interna e que as elites políticas são incapazes de admitir que o exército russo se deve retirar "sob condições completamente diferentes das planeadas".

Como tal, o conselheiro acredita que a posição do Kremlin não mudará até que todos os pacotes de sanções internacionais entrem em vigor, até que as "reais capacidades de combate" das suas forças armadas sejam expostas e a Rússia perca "os resquícios de sua reputação".

"Na minha opinião, o objetivo estratégico dos russos é tudo ou nada", disse Podolyak, que ressaltou, entretanto, que neste momento Kiev não está a considerar a questão de uma "saída" do processo de negociação da delegação ucraniana.

As conversas serão retomadas quando houver "algo concreto", indicou, acrescentando que circunstâncias como a evacuação dos defensores de Azovstal e a situação na região de Kherson, ocupada pela Rússia, terão um papel importante.

O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Rudenko, disse esta terça-feira que a Ucrânia tinha abandonado o processo de negociação, cuja última ronda de conversas presenciais aconteceu a 29 de março em Istambul.