EFEMaputo

A missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) em Moçambique manifestou hoje as suas dúvidas sobre o registo de eleitores que esta terça-feira participaram nas eleições presidenciais, parlamentares e provinciais.

"Votação bem organizada precedida por uma campanha marcada pela violência, as limitações de liberdades fundamentais e as dúvidas sobre a qualidade do registo de eleitores", resume a missão da UE num relatório com as conclusões preliminares.

Como pontos positivos, o texto afirma a abertura pontual das mesas de voto, a boa organização da votação "com relativamente poucos incidentes" e o aumento da participação em todas as províncias em comparação com as eleições de 2014.

No entanto, aponta que esse aumento poderá dever-se a um "registo múltiplo de eleitores" provocado pela inação das instituições responsáveis e diversas deficiências técnicas.

Como ilustra na sua conta da rede social Twitter a investigadora da Human Rights Watch (HRW) para Angola e Moçambique, Zenaida Machado, numa mesa eleitoral em Beira (centro do país), apesar do número de eleitores registados era de 158, foram contabilizados 252 votos nas urnas.

"A ausência de observadores nacionais em quase metade das zonas de voto controladas não contribuiu para a transparência do processo", afirmou hoje em conferência de imprensa em Maputo o chefe de missão da UE, o eurodeputado socialista Nacho Sánchez Amor.

As eleições serviram de barómetro para medir o êxito do acordo de paz assinado em agosto passado entre o presidente do país, Filipe Nyusi, e o líder da opositora Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, o terceiro desde o final da guerra civil (1977-1992) que causou um milhão de mortos.

"Pedimos aos representantes e candidatos dos diferentes partidos políticos que esperem com calma e serenidade que os resultados sejam publicados. Também instamos aos partidos a respeitar os prazos e canais estabelecidos por lei para apresentar qualquer disputa eleitoral", ressaltou Sánchez.

Uma avaliação similar, centrada no bom desenvolvimento durante o dia da votação, foi realizada pelas missões de observação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana (UA), entre outras.

Por sua parte, as organizações da sociedade civil de Moçambique -com mais de 20.000 observadores- destacaram a morte às mãos da Polícia de dois cidadãos na província de Nampula (nordeste), além de tentativas de fraude a favor do governante Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e vários atos de intimidação cometidos pelas forças de segurança.

Embora a Comissão Eleitoral Nacional ainda não tenha revelado os resultados parciais, a contagem paralela realizada por organizações civis augura a reeleição de Nyusi.

O seu partido, Frelimo, que governa Moçambique desde a independência de Portugal em 1975, poderá aumentar o número de deputados na Assembleia e ter pela primeira vez governadores escolhidos em todas as províncias.