EFELisboa

A União Europeia (UE) pediu esta quarta-feira um "compromisso político firme" e uma mudança de atitude para salvar os oceanos, cujo estado é "mais desolador do que nunca", e defendeu que é necessário mais investimento e uma "grande" transformação estrutural.

"As soluções existem, sabemos que estão aí, mas requerem uma grande transformação estrutural e investimento, e sobretudo mais determinação e uma mudança de atitude", disse a diretora-geral de Pesca e Assuntos Marítimos da Comissão Europeia (DGMare), Charlina Vitcheva.

Vitcheva, que falava na sessão plenária da Conferência dos Oceanos da ONU em Lisboa, disse que salvar os mares, dos quais dependem milhões de pessoas em todo o mundo, só pode ser conseguido com um "compromisso político firme".

"Esperamos que os compromissos aqui assumidos não fiquem esquecidos quando voltarmos a casa", ressaltou, apelando aos Estados e a todas as partes interessadas para "acelerarem os seus esforços" para implementar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, relativo aos oceanos.

Deve sair de Lisboa um compromisso "geral e inequívoco" de todos, uma vez que ainda não se conseguiu melhorar o estado dos oceanos, que ainda é "muito alarmante". "É o nosso fracasso e responsabilidade coletiva", admitiu.

Como tal, são necessárias medidas "mensuráveis e impactantes" para gerir de forma sustentável os recursos marinhos e a biodiversidade, aumentar a resiliência dos oceanos às alterações climáticas e salvaguardar a sua saúde para as gerações futuras.

A responsável da DGMare detalhou algumas das políticas implementadas pela UE a este respeito, tais como a promoção da economia circular, a limitação dos plásticos de utilização única e medidas para proteger a biodiversidade e reduzir as emissões em 55% até 2030.

Além disso, mencionou a política de "tolerância zero" contra a pesca ilegal e os esforços para negociar um acordo global para proteger os oceanos.

"Há uma oportunidade, e esperamos que em agosto todos cheguemos a este acordo", disse.

A UE e os seus Estados membros "não tencionam dar um passo atrás": "Hoje colocamos sobre a mesa mais de 50% dos compromissos voluntários, no valor de cerca de 7.000 milhões de euros", defendeu.