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Os líderes da União Europeia (UE) poderão oferecer à primeira-ministra britânica, Theresa May, um período de transição após o "brexit" de "apenas 20 meses", segundo fontes citadas hoje pelo jornal "The Guardian".

A líder conservadora tinha solicitado num discurso pronunciado em Florença (Itália) no passado mês um período de implementação de "uns dois anos" após a saída efetiva deste país do bloco comum, prevista para março de 2019.

Contudo, segundo o citado jornal, os funcionários comunitários acreditam que o mais provável será acordar a saída com a data de 31 de dezembro de 2020 para que o Reino Unido abandone as estruturas legais dos Vinte e sete.

O "The Guardian" também aponta que ainda não se tomaram decisões a esse respeito e que os 27 Estados membros devem ainda debater os termos de um período de transição.

Ao início desta semana, o negociador comunitário para o "brexit", Michel Barnier, também sugeriu que esse calendário seria bom para o bloco comum, ao comentar que teria sentido "que abrangesse o período financeiro, até 2020".

Jean-Claude Piris, o ex-responsável do serviço legal do Conselho Europeu, apontou ao jornal que embora não existam requisitos legais para restringir a transição, limitar esse período a 20 meses poderia "convir" à União.

"O período de transição poderia ser de qualquer duração que as partes acordassem no Artigo 50", disse.

Segundo Piris, "estes 20 meses não seriam suficientes para os interesses britânicos, mas demoraram muito tempo para solicitar esse período, quando é óbvio que o precisam".

Um porta-voz do Governo britânico lembrou que a primeira-ministra propôs "um período de implementação de duração limitada de uns dois anos no seu discurso de Florença e ficou claro no artigo 50 que acordar este princípio ao início do processo negociador ajudaria a minimizar alterações desnecessárias".

"Isto requereria negociação, e estamos dispostos a iniciar essa conversação assim que a União Europeia (UE) queira", acrescentou a fonte.