EFEParis

A Unesco e o Congresso Judaico Mundial (CJM) lançaram esta quinta-feira uma colaboração com a plataforma virtual TikTok para fazer frente à distorção e negação do Holocausto.

A sua aliança, apresentada no âmbito do Dia Internacional de Comemoração do Holocausto, irá permitir que os utilizadores que procurem termos relacionados com esse genocídio sistemático de judeus por parte da Alemanha nazi sejam reencaminhados a informação verificada.

"A circulação de informação falsa sobre o Holocausto é um problema crescente nas redes sociais, e nem todas as plataformas estão a tomar medidas eficazes para travar esta tendência prejudicial", indicou em comunicado a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo dados da própria Unesco e da ONU, 17% dos conteúdos relacionados com o Holocausto no TikTok negavam ou distorciam o Holocausto. Perante esta situação, a plataforma decidiu atuar em apoio da experiência de ambos organismos.

A partir desta quinta-feira, quem procurar no TikTok termos relacionados com esse extermínio, como "vítimas do Holocausto", verão um banner (uma janela emergente) na parte superior dos seus resultados de busca que os convida a visitar o site do CMJ e da UNESCO www.aboutholocaust.org.

Essa página, criada conjuntamente pelo CJM e a Unesco, está disponível em 19 idiomas e educa os leitores sobre as raízes históricas do genocídio, os seus processos e consequências.

Quem procurar termos que infrinjam as normas do TikTok, ao invés dos resultados, que serão proibidos, verão o mesmo banner com um convite para visitar os recursos educativos online do CJM e da Unesco.

"Negar, distorcer ou trivializar os verdadeiros factos é uma forma perniciosa de antissemitismo contemporâneo. Todas as plataformas virtuais devem ser responsabilizadas da difusão de discursos de ódio nos seus canais e promover fontes de informação fiáveis", disse a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

O CJM também mostrou nesse comunicado a sua satisfação com este trabalho conjunto.

"O TikTok é conhecido pela sua capacidade de chegar a públicos mais jovens, muitos deles desinformados sobre os horrores do Holocausto e particularmente suscetíveis à desinformação. Celebramos que a plataforma assuma a sua responsabilidade e aproveite o seu alcance", indicou o presidente desse congresso, Ronald S. Lauder.

O acordo junta-se a um similar assinado no ano passado com a Facebook. Desde então, o site Aboutholocaust.org foi consultado quase 400.000 vezes desde mais de 100 países.

Segundo a Unesco, a desinformação sobre o Holocausto e as teorias de conspiração antissemitas têm aumentado consideravelmente desde o começo da pandemia de covid-19, e a ignorância generalizada e crescente sobre o sucedido alimenta esse problema.

A modo de exemplo, o organismo da ONU apontou que um estudo de 2020 diz que 41% de adultos jovens americanos acham que foram assassinados dois milhões ou menos de judeus, ao vez de seis milhões.