EFELisboa

A Unesco reconheceu esta sexta-feira, último dia da Conferência dos Oceanos em Lisboa, que a falta de dados e informação compartilhada entre os diferentes países complica a adoção de medidas globais para a proteção dos mares.

"Há falta de indicadores fiáveis", admitiu Henrik Enevoldsen, responsável pela seção de Oceanos da Unesco, que no entanto apontou que "há muitas iniciativas" em andamento para proteger os mares e que "nos levam pelo caminho verdadeiro".

A Unesco apresentou hoje uma edição piloto de um relatório global sobre a situação dos oceanos onde admite que o "conhecimento atual" é "insuficiente".

"Embora a sociedade seja consciente do que sucede no oceano e do que deve ser feito ao respeito", aponta o relatório, "a descrição quantitativa do oceano é drasticamente incompleta".

"Como resultado, o conhecimento atual é insuficiente para informar de maneira eficaz sobre as soluções aos problemas do oceano que a humanidade enfrenta agora", reconhece o documento.

Sendo assim, o que fazer? Segundo a Unesco, o caminho é "comunicar amplamente as descobertas" e promover o intercâmbio de informação nos diferentes níveis, tanto entre os governos como entre investigadores e atores privados.

O marco global é, afirma o organismo, a Década dos Oceanos das Nações Unidas, considerada como a "plataforma principal para transformar a ciência oceânica".

O relatório completo, que será divulgado no próximo ano, vai ser o primeiro deste tipo a recolher a informação mais atualizada sobre o estado do oceano, desde a poluição até à biodiversidade.

Uma informação, de acordo com a Unesco, que "os responsáveis pela formulação de políticas e os administradores dos oceanos precisam para tomar decisões informadas sobre a proteção dos oceanos e planeamento sustentável".

O documento desenvolve os 10 desafios iniciais da Década das Nações Unidas das Ciências Oceânicas para o Desenvolvimento, 2021-2030.