EFEGarcía de Hevia (Venezuela)

A Venezuela iniciou esta terça-feira exercícios militares na fronteira com a Colômbia, atendendo à ordem dada pelo presidente do país, Nicolás Maduro, na semana passada.

No meio da escalada de tensão com o governo do país vizinho, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) não disparou um único tiro nos exercícios realizados esta terça, como a Agência Efe pôde constatar na região. Nas manobras, o governo chavista só movimentou tropas e veículos para a região da fronteira.

Fontes ligadas à FANB disseram à imprensa que há 150 mil soldados e polícias na região da fronteira. No entanto, não há informações se todos eles vão participar nos exercícios, vistos pela Colômbia como uma provocação.

O chefe do Comando Estratégico Operacional da FANB, Remigio Ceballos, comandou o primeiro dia de exercícios e afirmou que a Venezuela tem "amigos em todo o mundo", uma resposta à oposição, que denuncia a presença de soldados russos e cubanos entre os militares do país.

Num discurso, Maduro disse que o Exército está pronto para as manobras militares e anunciou que manterá o "alerta laranja" na fronteira, decretado após o líder chavista afirmar, sem apresentar qualquer tipo de provas, que o governo da Colômbia planeia invadir a Venezuela.

"É para deixar tudo pronto, para defender o nosso território. Não ameaçamos ninguém, mas estamos prontos para nos defendermos se necessário", afirmou Maduro.

Para o líder da oposição, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 governos, os exercícios militares são uma estratégia de Maduro para distrair a população da crise económica que abala o país nos últimos anos.

Do lado colombiano, o discurso do governo é de que o país não cairá nas provocações de Maduro. Essa mensagem foi transmitida na terça-feira pela vice-presidente, Marta Lúcia Ramírez, que negou qualquer hipótese de confronto militar com a Venezuela.