EFELviv (Ucrânia)

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou esta sexta-feira o relatório publicado ontem pela Amnistia Internacional, que acusava o seu país de pôr a população civil em perigo, porque diz que "tenta amnistiar um estado terrorista" e equipara vítima e agressor.

"Vimos hoje um relatório completamente diferente da Amnistia Internacional, que lamentavelmente tenta amnistiar o estado terrorista e transladar a responsabilidade do agressor à vítima", disse Zelensky num discurso nesta madrugada.

A organização defensora dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) assinalou esta quinta-feira que as forças ucranianas põem a população civil em perigo ao estabelecer bases militares em zonas residenciais e lançar ataques desde áreas habitadas por civis.

"As forças ucranianas põem a população civil em situações de risco ao estabelecer bases e operar sistemas de armas em zonas habitadas por civis, inclusive em escolas e hospitais, para repelir a invasão russa que começou em fevereiro", assinala.

Zelensky afirmou que "não pode haver, nem sequer hipoteticamente, nenhuma condição sob a qual qualquer ataque russo à Ucrânia se justifique. A agressão contra o nosso estado não é provocada, é invasiva e abertamente terrorista".

"E se alguém faz um relatório no qual supostamente a vítima e o agressor são iguais em algo... isto não pode ser tolerado", afirmou.

O presidente ucraniano recordou o ataque perpetrado esta quinta-feira pelos russos contra a cidade de Toretsk, na região de Donetsk, que resultou na morte de oito pessoas que estavam numa paragem de autocarro, uma ação na qual três crianças ficaram também feridas.

"Foi um ataque deliberado dos ocupantes, outro acto de terror, cínico e calculado. Sabiam onde estavam a bater e obviamente queriam causar danos às pessoas", disse Zelensky, que lamentou não ver "relatórios claros e oportunos de alguns organismos internacionais sobre este e milhares de outros crimes cometidos por terroristas russos".

"Quase 200 edifícios religiosos -templos e casas de oração de várias denominações- foram danificados ou destruídos pelos ataques russos. Cerca de 900 instalações médicas. Mais de 2.200 instituições de ensino. Dezenas de universidades, centenas de escolas e jardins de infância", enumerou Zelensky.

"Os ocupantes dispararam deliberada e repetidamente artilharia e morteiros contra pessoas que faziam fila para água, em autocarros de evacuação e repetidamente contra paragens de transportes públicos", afirmou. "E não há relatórios sobre o assunto por qualquer razão. Isto é seletividade imoral", acrescentou.