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O presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, está "pronto para conversar" com o líder russo, Vladimir Putin, "mas sem ultimato", e também para uma troca com Moscovo que permita "salvar os vivos e tirar os mortos" da fábrica metalúrgica Azovstal.

Em trechos de uma entrevista que concedeu à emissora italiana "Rai" e que irá ao ar na íntegra ainda hoje, Zelensky afirmou que as negociações com Moscovo são difíceis, porque "todos os dias os russos ocupam vilarejos, muitas pessoas deixaram as suas casas, foram mortas pelos russos", e os cidadãos ucranianos sofrem "tortura e assassinatos", o que "complica muito as coisas".

Sobre a situação em Azovstal, o presidente ucraniano disse que o seu Governo está a fazer "todo o possível".

"Demos as informações aos russos. A Suíça e a Turquia estão envolvidas neste assunto, e também falei com o presidente da Finlândia (Sauli Ninisto), que falará com Putin", disse.

Zelensky ressaltou que o exército russo deve deixar a Ucrânia o quanto antes e responder pelo que fez.

"Sei que Putin quer chegar a um resultado, mas não conseguiu. Que estamos a ser solicitados a entregar algo para salvar a pele do presidente russo não é justo. A Ucrânia não vai salvar a pele de alguém pagando (com os seus territórios)", disse.

O presidente ucraniano negou ter considerado "reconhecer a independência da Crimeia", península anexada pela Rússia em 2014, e ressaltou que esta "sempre foi território ucraniano".

"A Ucrânia quer paz, coisas muito normais como o respeito à soberania, integridade territorial, tradições populares, idioma. Estas podem ser coisas triviais, mas foram violadas pela Rússia e devem ser devolvidas", afirmou.