EFEParis

A faturação da Renault no terceiro trimestre desceu 6% face ao mesmo período de 2017 a 11.484 milhões de euros pela diminuição das vendas em países emergentes chave para o grupo francês, como a Argentina, Turquia, Índia ou Irão, e pela desvalorização de muitas divisas do mundo em desenvolvimento.

A queda do terceiro trimestre provocou uma mudança de tendência comparada com a primeira metade do ano (+0,2% no primeiro trimestre, +2,4% no segundo), de modo que nos nove primeiros meses do ano o volume de negócios diminuiu um 0,8% até 41.441 milhões de euros, anunciou hoje o grupo francês em comunicado.

Entre julho e setembro, o grupo Renault matriculou 891.539 veículos, 2,9% mais que no mesmo período de 2017, mas esse aumento explica-se em parte porque inclui as suas duas novas marcas chinesas, Jinbei e Huasong (39.673 no total).

Na Europa, as inscrições da Renault subiram 8,6% mas no resto do mundo caíram 2%, inclusive levando em conta essas duas novas marcas chinesas.

Na América, as vendas de automóveis do grupo aumentaram 0,2% apesar do descalabro de 24,9% na Argentina. Outros mercados que tiveram um comportamento muito negativo foram a Índia (- 34,7%), a Turquia (- 52,5%) ou o Irão, onde a empresa decidiu renunciar ao seu negócio para evitar sanções dos Estados Unidos.

O volume de negócios da atividade automobilística nesse trimestre foi de 10.057 milhões de euros, uma queda de 8,4% que se explica em primeiro lugar (4 pontos percentuais de baixa) pela desvalorização frente ao euro de algumas das moedas de países emergentes (o peso argentino, o real brasileiro, a libra turca ou o rublo russo).

A paralisação das entregas aos parceiros industriais no Irão, o impacto da menor procura de motores diesel e a redução de aprovisionamentos para a Nissan supuseram 3,3 pontos percentuais menos nas receitas do negócio automobilístico.

Pelo contrário, a atividade de créditos para os clientes elevou em 31,1% o número de negócios no banco da Renault a 800 milhões de euros.

O grupo Renault revisou para baixo as suas perspectivas sobre o mercado global do automóvel para o conjunto do ano, que vai progressar 2%, e não 3% como tinha calculado anteriormente, e isso em particular pela desaceleração do aumento na China (2% em lugar de 5%).

Não obstante, afirmou que na Europa -o seu mercado doméstico- as inscrições vão subir como tinha augurado 1,5% e em França inclusive irá acelerar-se a cadência (mais de 4%, frente a 2% estimado anteriormente). Além disso, no Brasil o incremento vai ser de 10% e na Rússia mais que 10%.

Levando em conta todos esses elementos, a companhia confirmou os seus objetivos financeiros para 2018, o que significa elevar a sua faturação a taxa de câmbio e perímetro equivalentes, manter uma margem operacional superior a 6% e gerar um fluxo de caixa operacional positivo no negócio automobilístico.